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Sunday, November 15, 2009

O "meu Mondego"


- Mostra-me o "teu Mondego"...

- Mondego? Não deveria existir apenas um?

- Sim e só existe um, mas estás no teu sonho e podes ter nele todos os rios deste mundo.

- Humm, não deixa de ser pertinente. Mas então qual seria o "meu Mondego"? E porque se chamaria Mondego?

- Porque passaste horas a olhar para ele, as gaivotas e os patos contaram-te imensas histórias sobre ele. Podias querer que no teu sonho a tua realidade desse pelo nome de Mondego!

- Hum Hum, continuas a ter razão. Deixa-me pensar, não será fácil imaginar um mar com nome de rio. Baralha o sentido das coisas, percebes? Águas mortas, águas vivas... suavidade, silêncio transformados em agitação e muita euforia. É certo que as gaivotas continuam lá, mas dos patos nunca ouvi falar!

- És sempre assim tão complicado? É apenas um sonho.

- Poder-se-à ter feito luz...

Tive um sonho esperado, poder-se-à dizer aguardado. A palavra cabe-lhe bem. Tive sonhos que não sonhei, conseguia alcançar tudo com os meus olhos, erguer as mãos e os abraçar como se de ficção se tratasse. Tive até sonhos que nunca cheguei a ter, poderia ter medo de os receber, de desembrulhar a sua mensagem e que esta me consumisse na sua mais sincera loucura. Não sei porquê sonhei... Estava terrivelmente incomodado com a pressão de ser Eu, estava com medo de desmoronar, de me transformar numa simples ruína. Sonhei que cada pedra solta um dia poderia ser um bocadinho de ti e poderíamos falar uma só língua. Sonhei aquilo que aconteceu e aquilo que não aconteceu. Sonhei que estava a fumar um cigarro reconfortante, acalmava-me a alma e desprezava os desperdícios de pensamento, e ouvia o mar, ou seria antes rio? Não sei, mas posso não complicar as coisas, garanto-te que aquele mar era o "meu Mondego".
M.M.

Monday, March 03, 2008

Enlace: Do céu ao Mar

Gota de chuva, voas tu sob os suspiros de vento, ergues-te e levitas sem temer a reacção de todos estes elementos que a mãe natureza nos concedeu. Escreve-se nos céus, suspiro das lágrimas de vida, que o medo não te possua, vamos escrever a passagem das nossas vidas.


O medo não me possui, sou eu que o possuo às vezes. Hoje é diferente. Quero deixar marcas presentes neste céu que ergo no auge para deixar cair, lentamente, pequenas gotas invisíveis de palavras. E estas, apenas estas, fazem parte deste agora. A passagem de tudo é como as ondas daquele mar que aconchega sussurros nunca antes ouvidos. Antes que a voz se cale ou enfraqueça, vamos escrever a passagem das nossas vidas.

Dos céus revelando os seus encantos, vai-se descrevendo em anonimato; entre pensamentos e devoções vou entendendo nestas linhas a voz das suas exaltações, os segredos encantados e declaradamente apagados dos seus pensamentos. Sente este mar, olha à tua volta, tantas gotas, tantos segredos, tantas companhias desejadas, tantos aconchegos e tanta solidão, junta-te neste grande mar... Torna-te desejo, abraça as gotas dos teus sussurros…

O meu olhar é capaz de ver e sentir tudo isso; até sente mais além: vê o fundo deste mar. É tranquilo e isso apazigua o que há cá dentro… O barulho das gotas a cair já não incomoda, o segredar dos segredos já não existe. Só há desejo, desejo de abraçar estas gotas que me aparecem nas mãos, sem euforia ou distorção. Elas aparecem, porque hoje há o desejo de me juntar a este grande mar e de me enlaçar na voz dos meus surpresos sussurros.

Na chegada a bênção das boas vindas, aclamando suspiros de felicidade, sensação de uma casa habitada nunca antes deixada pelos instintos fortes da sua emoção. Instala-te nestas belíssimas barreiras de coral, divaga entre sonhos e desejos... agora conta-me em palavras de mansinho, ainda no presente te agonia a dolorosa permanência da solidão?


Não sei bem. Não sinto bem. Ela só aparece quando não estou dentro deste mar ou desta casa ou quando todas as nuvens ficam carregadas de chuva. Mas depois as gotas vão caindo e eu vou ficando melhor, o escuro das ondas vai desaparecendo e eu vou ficando melhor. Fico melhor quando estou segura, quando olho para as luas que me guardam, quando passeio pelas areias branqueadas do fundo do mar... Fico melhor quando falo de mansinho, sem pressas neste caminho.
Agora, diz-me, como é sentir as gotas a unirem-se a este mar?


É sentir a minha chegada prematura, a escuridão que invade a longa imensidão do meu peito, a ausência do que nos foge por entre as mãos e passam a meras algas perdidas sem destino, é guardar um álbum de recordações de entre as réstias das mágoas que nos instruem... é a tristeza de saber que um dia voltarei à rancorosa tela, onde tu me pintas rodeada de abraços e de coração solitário, de olhos tristes e adormecidos... Em breve chegará a hora da minha partida, tomarás as rédeas deste reino, torna-te fogo, torna-te luz... que lá de cima te pintarei!

Não há breves nem outros tempos condicionais. Só há uma tela que eu vou esboçando com traços de tinta de chuva. Enquanto pinto, as gotas caem-me para os olhos adormecidos e dou asas à criação. Com ou sem mérito, pinto. Pinto-te. Rodeado de abraços tão fortes, mas sem rancores ou olhos tristes. Os teus brilham quando encontram o primor dos meus traços ou as ondas da tela que inspiram os meus e os teus sussurros. Também os ouves, porque és sábio. E a voz, pequenina, fala-te do sonho e da esperança, fala-te do dom das gotas invisíveis de palavras.
Gostas da música?


Marco Martins & Catarina 04/03/2008

Á primeira de muitas parcerias... um muito Obrigado!

Thursday, February 21, 2008

O Eterno namoro entre a estrela e o mar!

O que seria de ti eterna luz cintilante se vivesses sem a bravura deste mar? Sob o teu olhar intenso descreves os teus passos mágicos na areia encharcada pelos carinhos que a tua água te presenteou, sentes o ruído dos cochichos silenciosos a entregarem-se à divina orla das ondas abençoadas, respiras esse cheiro de uma melancolia deveras intensa, poderás algum dia não retratar este quadro como uma monotonia tão feliz? Estão tão sós e tudo permanece nos seus alcances, nos palmos de terra que se esvoaçam pelo ar… A proximidade é bem diminuta, julgamo-los longínquos na sua raiz de visões, na sua contabilização suprema de quilómetros sem fim.

Veneram-se congratulando-se desse amor, amam-se invocando Vénus em todos os altares percorridos em terra ou mar, aclama-se que os seus espíritos se transformem num só corpo celestial manchado em brandas pinceladas de um brilho harmonioso; num corpo marítimo erguido por outras tintas maltratadas, vítimas de um desespero ruidoso para a alcançar.

Sobre esta noite que um Inverno de fria não implementou, baptizo-os alegremente sobre o coroado de algas dispersas entre braços, o amor, a amizade e o vosso luar. Onde as mãos destes seres se cruzam e se desejam unidas até o dia tristemente raiar.

O que seria de ti sem esta noite?

18/02/2008

M.M.