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Monday, November 03, 2008

Carta aos Apostolos da demagogia tão profunda como a Nostalgia!

Somos imagens plantadas no seio desta terra fortalecida de histórias perdidas por entre fendas cruéis ou de forma vangloriosa por entre os raios brilhantes que ainda se passeiam com ternura nos jardins mais floridos da nossa recordação. A reminiscência é doce e amarga entranha-se na alma e oferece-nos um gosto a estranheza, divaga nos organismos libertando-nos do vazio… Nostalgia? Claro! Temos tantos livros abertos, escrituras de um passado tão recente… Aquelas tardes apaixonantes em que todos os costumes eram por si nobres corações aventurados, deslumbrados por cada minuto em que o mar nos falava em murmúrios da sua pacata tristeza. Ouvíamo-lo entrelaçando os corações entre as raízes dos nossos dedos e chorávamos em silêncio a sua dor sagrada. Nostalgia presente nas memórias da sensibilidade, há quem a tema na perplexidade das lágrimas que correm sem parar na espera que a lembrança surja e lhe escoe a tortura presente no seu peito… Confia em mim, sei que percorres alegremente o meu corpo, silencia as tormentas, escreve-lhes as sonatas mais belas, em suma, reaparece numa erupção volumosa sob as ordens simples de um olhar tão forte que vindo do nada nos arrepia e nos enamora imaturamente sem razão aparente de ser… Em instantes benevolentes recriamos romance, um pôr-do-sol, umas estrelas brilhantes, uma lua, um sol e alguém sentado ao nosso lado que faça dia, faça noite jamais será esquecido… Eu lembro-me… Foram tantos caminhos felizes sem noções de um amanhã, tantas pedras invisíveis aos nossos olhos perdidos no encantamento, razões sensoriais ao nosso sofrimento. Momentos sofríveis, desprezíveis numa troca abundante de vidas e mesmo assim, mal sabem vocês das saudades que tenho de vocês… De ti, de ti… mais de ti e a ti também… Das lágrimas aos sorrisos espontâneos e sentidos, uma celebração natural das nossas palavras.

M.M.

Tuesday, June 03, 2008

Nostalgia a todos os Troianos de hoje...

Helena saiu às ruas alastradas pelos ventos fortes que arrastavam consigo as poeiras vindas de Tróia, deu-lhes o nome de guerra celebrado em brindes clássicos de vitória, as paredes sorriam-lhe e saudavam calorosamente a sua passagem. A rainha ia cantando todos os séculos das suas sagradas lembranças e façanhas abençoando cada uma das suas descendentes, entregando-lhes amor maternal, se a diva lhe prestasse a devida homenagem nos cantos mais frequentados da sua memória.
A história prossegue as indicações normais e a estrada leva-nos ao encontro das suas preces... Assim surges pedindo a aflitiva "bleia"neste nosso cavalo de Tróia, a nossa tripulação observando os teus olhos revê em ti mais uma aliada, sobes os degraus que os nossos braços te estendem e ocupas o teu lugar, prossegues a nossa viagem, trazes contigo a tua sabedoria divina, e mal sabíamos nós que as raízes da rainha sentavam-se de novo nos comandos desta travessia, nem sabíamos que era sua progenitora... Lembro-me daquele dia como se de hoje se tratasse, consigo-o desenhar nas paredes fortificadas que nos protegem dos horrores que lá fora se vivem, vou contar-vos a imaculada nostalgia a penetrar as muralhas dos vossos corações, não admito receios são tempestades que nos arrasam de bondade... Lembro-me como se fosse hoje o silêncio timidamente a corromper-se sem sequer se prenunciar desejando acumular toda uma paz invulgar rendida a todos os seus encantos; as primeiras palavras frágeis, timidamente transmitidas como naqueles tempos em que éramos crianças inocentes e percorríamos num cuidadoso silêncio o caminho para o templo de Zeus numa caminhada em honra das virgens protectoras. Mais tarde recordo os espíritos unidos a abraçarem-se amistosamente entre o secretismo do misterioso cavalo de madeira, assim se formulava em definitivo a colectividade das tábuas erguidas e unidas que têm vindo a percorrer as estradas da "Magna Grécia" em direcção à possível derrocada de Tróia.
Neste cavalo todos éramos história e respirávamos sopros de realidade, escrevíamos pensamentos no ar, lascávamos a madeira criando os nossos quadros marcando-nos na eternidade histórica... Em outros momentos haviam mesas redondas onde se discutia pelas noites sob o zumbido inquietante dos insectos incómodos que lá fora tentavam penetrar as nossas muralhas defensivas, ignorando todos os sons os raciocínios prosseguiam lestos e rapidamente se fundiam entre nós, sempre lhe disse que preferia dádivas a burocracias... Ela pediu-me sátiras, eu simplesmente parei e estatelei-me lá bem no fundo num vago murmúrio sonolento, levantei-me mais tarde quando o murmúrio se dissipou entre todos nós, e agora nestes momentos tranquilos vos conto neste rasgo de nostalgia o percurso da nossa amizade.
Recentemente... Chegamos a todos os lados e vencemos imóveis, sem armas, nem gritos... julgavam-nos monumentos e criticavam-nos por incompatibilidades nos seus gostos artísticos e nós íamos retaliando em vagas daquele silêncio corrompido e todos se ajoelhavam prestando vassalagem à tua artimanha. Na verdade nunca pensámos deslocar-te até Tróia... Princesa helénica viemos neste cavalo passar as nossas vidas a rodar o espaço divino de Hellas, conquistar sabedorias, pensamentos e aliados que nos dêem uma viagem com mais proveitos e conclusões, por fim, talvez um dia Tróia se encontre diante dos nossos olhos e a dignificante vassalagem se arraste a teus pés...
Agora preparemo-nos todos para mais uma viagem, em frente gera-se o movimento dos rolamentos das nossas vidas.
De um castelo a sobrevoar os ares para uma terra de cavalos tróianos...
M.M.