Saturday, June 21, 2008
O canto do ausente
Tuesday, June 03, 2008
Nostalgia a todos os Troianos de hoje...
Sunday, June 01, 2008
Chamamento!
Wednesday, May 07, 2008
Insónias
Monday, April 21, 2008
Na breve explicação...
Saturday, April 12, 2008
No labirinto das conferências.
Havia, ainda existe, um lago de evasões pintadas com cores abstractas infligidas pela doença da saudade, aquela sensação de inquietação danada irreversivelmente plantada naquele chão de esperanças fúnebres numa mistura envolvente com as cores vivas dos seres vivos e formosos que a tantas vidas transformou. Nesse espaço aberto ao vento coberto pelos zumbidos retorcidos da poluição rolam os cochichos das páginas que se desfolham em curiosidade, saem à rua o bando das amarguradas más-línguas que nos olham em desalentos terrores de entre os nossos ternos louvores a sobrevoar as graciosas correntes das temperanças que das lembranças nos recordam aqueles instantes formulados por uma dinastia vaga repleta de magia.
E nos fluidos abstractos, sobre as pedras que se resguardam nos confrontos com as águas mortas, rodopiam uns patos mansos ou bravos, é incerto e confuso que nem eu sei, que à nossa vista tão longínqua serão imagem ausente ou muito vazia, passam por símbolos carismáticos daquelas tardes de preguiça serena, da conversa amena em que os nossos corpos habitavam em tranquilidade na gruta das estalactites e estalagmites com o seu nome de amizade.
Um passo é presença e será sempre lembrança desta enorme conferência que o mundo numa compressão de corpos entregou, respirando ares que a essência de uma alma nos pode oferecer num espaço de minutos simples e inesquecíveis.Monday, April 07, 2008
Aquele que não tem nome.
Quando fechei olhos ela apontou-me a sua luz, não podia fugir, fez-me prisioneiro debaixo de um manto de sensações. Sunday, April 06, 2008
Sou um animal estranho na madrugada!
Nem sempre somos unânimes e cordiais no regresso do desvastante temporal. Naquela noite carregada de sentimentos desgastantes, onde a amargura exclamou ritos e gritos, entreguei-me em passos sofridos sobre aquela estrada de macuas. Estávamos perdidos, sempre o soube, olhavas-me como se o teu fim fosse um chamamento prévio, um ponto sem retorno. Agarrei-lhe na mão que em tremor arrastou o vento e congelou-me a visão... Durante alguns segundos acreditei que a luz fosse mais reforçada e que toda a sua vontade nos levasse à vaga ideia de um choro requisitado pela sábia conquista da tristeza. O túnel é vago, uivos são entoados entre ecos que nos desprezam… Aproximou-se, juro-vos que me mantive intacto…
Monday, March 24, 2008
A ausência do sempre presente...
Esse livro é ausência do sempre presente que em devaneios foi concedido ao mundo; é peripécia dos guerreiros velozes, de corpos atrozes, a combaterem as linhas impostas em mim. É chuva impiedosa vestida do nada, que em pensamentos longos nos circulam sem fim.
E o sempre presente se sustenta entre linhas e cores, sobre sorrisos e lágrimas, as palavras de um adorno eterno. Da escuridão surgiu brilho em formato de sonho e o brilho devolveu-nos a divina esperança, são as lágrimas desse livro encantado, brilhando em nós sorrisos e amizades.
E se quisesse que um dia fosse livro,
Chamar-te-ia à minha noite terna e sagrada para em breves segundos alimentarmos a nossa alma com a suavidade destas palavras…
M.M.
Monday, March 03, 2008
Enlace: Do céu ao Mar
Gota de chuva, voas tu sob os suspiros de vento, ergues-te e levitas sem temer a reacção de todos estes elementos que a mãe natureza nos concedeu. Escreve-se nos céus, suspiro das lágrimas de vida, que o medo não te possua, vamos escrever a passagem das nossas vidas.Na chegada a bênção das boas vindas, aclamando suspiros de felicidade, sensação de uma casa habitada nunca antes deixada pelos instintos fortes da sua emoção. Instala-te nestas belíssimas barreiras de coral, divaga entre sonhos e desejos... agora conta-me em palavras de mansinho, ainda no presente te agonia a dolorosa permanência da solidão?
Não sei bem. Não sinto bem. Ela só aparece quando não estou dentro deste mar ou desta casa ou quando todas as nuvens ficam carregadas de chuva. Mas depois as gotas vão caindo e eu vou ficando melhor, o escuro das ondas vai desaparecendo e eu vou ficando melhor. Fico melhor quando estou segura, quando olho para as luas que me guardam, quando passeio pelas areias branqueadas do fundo do mar... Fico melhor quando falo de mansinho, sem pressas neste caminho.
Agora, diz-me, como é sentir as gotas a unirem-se a este mar?
Não há breves nem outros tempos condicionais. Só há uma tela que eu vou esboçando com traços de tinta de chuva. Enquanto pinto, as gotas caem-me para os olhos adormecidos e dou asas à criação. Com ou sem mérito, pinto. Pinto-te. Rodeado de abraços tão fortes, mas sem rancores ou olhos tristes. Os teus brilham quando encontram o primor dos meus traços ou as ondas da tela que inspiram os meus e os teus sussurros. Também os ouves, porque és sábio. E a voz, pequenina, fala-te do sonho e da esperança, fala-te do dom das gotas invisíveis de palavras.
Gostas da música?
Sunday, February 24, 2008
Vörösmarty Mihály (1800-1855)
Poet and dramatist who helped make the literature of Hungary during the era (1825–49) of social reforms. By ridding Hungarian literature of overwhelming classical and German influence, he made it national not only in language but in spirit. Born into an impoverished noble family, Vörösmarty soon had to provide for himself. From the age…
Por teu amor, / Szerelmedért
destruía a razão / Feldúlnám eszemet
e,com ela, todos os pensamentos, / És annak minden gondolatját,
e das doces imagens região; / S képzelmim édes tartományát;
alma soltava aos ventos, / Eltépném lelkemet
por teu amor. / Szerelmedért.
Por teu amor, / Szerelmedért
árvore era no cume / Fa lennék bérc fején,
de rocha,verde folhagem vestia, / Felölteném zöld lombozatját,
sofrendo raio, temporal em fúria, / Eltűrném villám s vész haragját,
e no Inverno morreria, / S meghalnék minden év telén
por teu amor. / Szerelmedért.
Por teu amor, / Szerelmedért
pedra da rocha era, / Lennék bérc-nyomta kő,
ali no fundo em chama ardente, / Ott égnék földalatti lánggal,
numa dor insuportável deveras, / Kihalhatatlan fájdalommal,
sofrendo mudamente, / És némán szenvedő,
por teu amor. / Szerelmedért.
Por teu amor, / Szerelmedért
alma solta um dia, / Eltépett lelkemet
a Deus pediria que devolvesse, / Istentől újra visszakérném,
ornando-me com virtude maior, / Dicsőbb erénnyel ékesítném
e, alegre, eu ta daria, / S örömmel nyújtanám neked
por teu amor. / Szerelmedért!
Thursday, February 21, 2008
O Eterno namoro entre a estrela e o mar!
O que seria de ti eterna luz cintilante se vivesses sem a bravura deste mar? Sob o teu olhar intenso descreves os teus passos mágicos na areia encharcada pelos carinhos que a tua água te presenteou, sentes o ruído dos cochichos silenciosos a entregarem-se à divina orla das ondas abençoadas, respiras esse cheiro de uma melancolia deveras intensa, poderás algum dia não retratar este quadro como uma monotonia tão feliz? Estão tão sós e tudo permanece nos seus alcances, nos palmos de terra que se esvoaçam pelo ar… A proximidade é bem diminuta, julgamo-los longínquos na sua raiz de visões, na sua contabilização suprema de quilómetros sem fim.
Veneram-se congratulando-se desse amor, amam-se invocando Vénus em todos os altares percorridos em terra ou mar, aclama-se que os seus espíritos se transformem num só corpo celestial manchado em brandas pinceladas de um brilho harmonioso; num corpo marítimo erguido por outras tintas maltratadas, vítimas de um desespero ruidoso para a alcançar.
Sobre esta noite que um Inverno de fria não implementou, baptizo-os alegremente sobre o coroado de algas dispersas entre braços, o amor, a amizade e o vosso luar. Onde as mãos destes seres se cruzam e se desejam unidas até o dia tristemente raiar.
O que seria de ti sem esta noite?
18/02/2008
M.M.
Wednesday, February 06, 2008
Desejo
Monday, January 07, 2008
As sete chaves de Orlög
O pequeno mestre viajava pelos ares, mas de nada se apercebia, a sua anestesia temporária rejeitava todos os elementos, todo o tempo. O tempo que não podia ver, ouvir, pesar, o tempo que não podia dividir e desenvolver num laboratório. É um sentimento sentido de nos transformarmos no que somos em vez do que éramos há um segundo atrás, transformarmo-nos no que seremos noutro segundo. O pequeno mestre equiparava-se aos hopis na sua maneira de ver o tempo, via-o como uma paisagem, está atrás e à frente de nós. Soou um alarme, o seu relógio mede-se a si próprio, o objectivo do seu relógio é outro relógio.
E o que era o pequeno mestre no nanossegundo anterior? O seu relógio teria que dar uns consideráveis passos atrás, onde encontraríamos o brilho dos seus olhos a descer de cena tal e qual como umas cortinas a fecharem-se rispidamente quando acaba mais uma peça de teatro, desde então o pequeno mestre encontrava-se inconsciente e aí alguém intrometeu-se nos seus pensamentos sonhadores, uma voz escondida entoava-lhe palavras:
- Sabes de onde vens? Precisarás de o saber, para obteres certezas acerca do teu destino!
O pequeno mestre tremia na sua inconsciência, eram questões que o seu silêncio não poderia responder. Porque se tinha ele tornado um vulto com rastos apagados? Porque não tinha reacções para além da sua pele arrepiada que de longe não saberia sequer um alfabeto digno das respostas essenciais.
- Calma, estás nervoso, nós sabemos, calma… Somos a bússola que orienta os teus sonhos daqui em diante, enviaram-nos de Orlög, somos a combinação de factores e acontecimentos que determinam o presente, em função do passado, e cria o futuro, a partir do presente. Terás consciência do teu presente? Saberás de quem são essas asas que te arrastam pela atmosfera? Então escuta-nos, seremos a tua consciência e a tua protecção quando os teus olhos de novo surgirem, escreveremos a tua Wyrd (Destino pessoal) sentadas na brilhante constelação de Órion onde teceremos com cuidado e atenção o fuso da Deusa Frigga (Senhora do Céu e do Tempo, que de tudo sabia, mas de nada falava). Mas cuidado há coisas que nem as Deusas de destino conseguem corrigir num temporal, as palavras são sentenciadas pelos fortes encantamentos de Frigga, o fuso é seu, nós só tecemos esta grande teia que se estende sobre a Terra, de leste a oeste, acompanhando as trajectórias do sol.
O pequeno mestre mostrava-se cada vez mais apreensivo nos seus movimentos e rebolava o seu nervosismo pelo dorso da ave gigante, o seu rosto mostrava-se cada vez mais esgotado, carregado de gotas febris de um suor que derivava as palavras das nobres Nornes (Deusas do Destino).
- Não te esqueças, vais-te lembrar dos nossos nomes quando olhares para Órion, Urdh (Aquilo que foi), Verhandi (Aquilo que está sendo) e Skuld (Aquilo que virá a ser). Somos o ensinamento da humanidade, a compreensão das lições do passado, o uso das mesmas no presente para que no futuro evites os transtornos do passado. Quando acordares passa a mão pelo que te rodeia e sente o bem e o mal, aí saberás tirar partido da tua consciência educada no presente.
Passados alguns minutos, acordou, abriram-se as portas do seu olhar, lá no alto brilhavam estrelas encadeadas e sem saber ao certo só soube dizer “Aquilo que foi, aquilo que está sendo e aquilo que virá a ser”.
M.M.
Friday, January 04, 2008
De volta a uma casa!
Tuesday, December 25, 2007
Neste Natal...
Chegou a hora de te presentear meu amigo, senhor das minhas confidências, honra das minhas histórias… Hoje trago-te algo mais directo, sem palavras escondidas, ofereço-te a ti e aos teus leitores, os meus desejos e de um outro alguém, um alguém mais pequenino, ficaste com curiosidade, não foi? Eu sei que sim, sinto aí uma ansiedade a pairar no ar. Hoje temos companhia, sabes? Hoje temos uma criança a acompanhar-nos, o Natal é essencialmente delas, das crianças; hoje deparo-me a pensar, o que seria do Natal sem as crianças? O que seria desta época festiva sem os sorrisos humildes das crianças? E esta que está ao meu lado sabe sorrir por ele e pelos outros, aqui está a essência maravilhosa… Pede Afonsito, diz aos senhores o que queres neste Natal que o tio acompanha-te. Vamos fazer um jogo bonito, cada qual escreve os seus desejos para depois pendurarmos na nossa árvore de Natal imaginária. Vê como é bonita, tem tanto brilho, tantas cores, podíamos ficar aqui tantas horas a aproveitar a moleza das horas e ficaríamos encantados com tanta magia, não era? Mas não vamos ficar… Vamos lá pendurar os nossos desejos? Vamos… Pensa!
Quero algumas roupas e alguns brinquedos cá para casa.
Desejo tanta coisa, que às vezes interrogo-me daquilo que eu pretendo realmente… Para o mundo gostava da impossibilidade, a paz é algo que tanto pedimos mas é algo que nunca chegará até nós na sua totalidade; e penso neste momento naqueles que ainda choram as suas perdas, nos que nem uma família têm, nos que andam perdidos no mundo encostados numa dessas esquinas sombrias, atormenta-me… para esses só queria que o mundo lhes desse algo de melhor.
Quero que os meninos pobres tenham também algumas roupas e brinquedos.
Desejo que todos os meus amigos me guardem num manto de sorrisos, me deixem por lá a descansar no desfrute da comodidade e me acordem quando acharem por bem faze-lo.
Quero que os meus amigos estejam contentes.
Desejo de ser abraçado por tanta gente e por tantas lágrimas, que corram para mim e me digam em sussurros ao ouvido “és tanto para mim”.
Quero a mãe e o pai felizes.
Desejo a felicidade a todos os meus amigos e a toda a minha família, eles que caminham no meu castelo, ainda se lembram do meu castelo? Contava que a consoada fosse mais reunida, eu na torre olho para todos vós e choro lágrimas de alegria, acarinho as vossas imagens tentando as tocar profundamente através de gestos lá do seu alto, sou tão fraco dentro do meu forte. O meu coração que escorrega quando vos vê a todos. Ainda no outro dia pensei, será que tudo isto tem limites?
Vem meu pequeno, corre na direcção dos meus braços que eu erguer-te-ei bem alto onde colocarás a nossa estrela dourada, agora distribui os nossos desejos por este verde fascinante, a esperança da realização está dentro dos nossos corações. Anda meu pequenito dá a mão ao teu tio babado, vamos passear neste Natal e espalhar sorrisos por essas ruas coloridas. Então cantaremos o Natal…
Um sorriso brilhante,
M.M.
Sunday, December 23, 2007
Comunicado da Lua II
Boa noite, cá de cima a lua brilha na sua plenitude diante das fabulosas aberturas que o céu hoje nos oferece, as nuvens tomaram liberdade de permanecerem em descanso sobre o seu grandioso leito. Em noite de lua cheia voo sobre os céus e sento-me no grande círculo dos feitiços nocturnos. Daqui, torna-se curioso perceber o verdadeiro significado de Kepéla; este é cada vez mais rigoroso, não serão apenas rios – e a devida distância entre as margens -, daqui denotam-se oceanos de distâncias, horizontes inalcançáveis; ou associarei Kepéla às minhas eternas barreiras, a amistosa barreira que me separa da terra onde tantos ficam, cada vês mais se escondem nas barreiras grandiosas. Vamos todos perdendo o rasto de nós, não é verdade? Tão longe e tão perto… Preferia claramente que as barreiras fossem obras muito mais tardias, ficassem para os tempos em que as distâncias fossem realmente grandes! Pedras que se movem através de um trabalho árduo dos nossos braços. E realmente magoa-nos os corações!
M.M.
Saturday, December 22, 2007
Rökning Dödar: Smärta Franvaro
Por vezes não damos conta que a terra que pisamos foge de nós, desamparados deixamo-nos ir e ignoramos esse painel que nos sustem durante uma vida. Talvez por encararmos uma imagem normal, colocamo-la tantas vezes numa prateleira de recordações e deixamo-la a ganhar aquela poeira que marca o andamento da vida. “Olha, tem um pictográfico antigo, tem aquela poeira que se arrasta quando passamos o polegar sobre ela, por nos terem erguido sobre este altar talvez se tenham esquecido de mim nesta estante de madeira” lembra-se o pequeno mestre de dizer. Então caminhou, por estradas que nem os grandes servos de Asgard reconheciam nos seus mapas, os pássaros negros e gigantes guinchavam, eram ruídos incomodativos, tão perturbadores, o pequeno mestre não aguentava mais, colocou as suas mãos sobre os seus ouvidos, não dava para aguentar aquele sufoco que lhe aterrorizava a alma, o seu silêncio tinha sido invadido por saudações vindas de Nifflehein. Desmaiou… apagou o mundo das suas visões, apenas se lembrava da luta precária que sofrera naquela estante com contornos de lágrimas apavoradas. Horas mais tarde, acordou… Voava pelos ares em cima do tal pássaro gigante que virara branco, e tinha um ar fraternal e amigável; o pequeno mestre lembrou-se “tornei-me vivo, parece que alguém lembrou-se de arrastar a minha poeira, hoje sou uma imagem bem mais límpida que exalta euforias sobre as poeiras que lá em baixo outros criam”. Mas para onde viajara ele? Iria para bem longe?
Pequeno mestre que voará sobre os ares e desaparecerá do mundo, largando a sua torre de energias dissipadas rumo a Midgard ou Asgard? Para onde o levaria? Levaria-o sobre as sombras da despedida onde tantos por segundos o esqueceram...
M.M.
Wednesday, December 19, 2007
Ventania...
Sunday, December 16, 2007
Rökning Dödar: Jag har nostalgie av dig
“Olhar desolado, viste o tempo a partir e a transportar tanta gente consigo, e tu onde ficaste? Chegaste atrasado e perdeste o tempo para embarcar também naquela locomotiva. Mas não seguiam todos, dei com alguns destroços desalmadamente agarrados aos meus, mas outros, esses mesmos outros, senti naquela hora que se tinham ido embora, tal como Thor o foi para junto de Odin e Jord; e para onde teriam ido eles? E seria verdade? Na verdade, todos ansiávamos que a verdade fosse mentira, e que todos surgissem diante de nós e em breves toques de palavras atravessando o fumo -Que ainda me consome neste raciocínio -, nos digam um após outro:”Eu ainda estou aqui” ou “Jag har nostalgie av dig”.”
M.M.
Thursday, December 13, 2007
Rökning Dödar: Asgard
Então o pequeno mestre reflectiu, sobre o contar incessante dos segundos, pensava na tômbola a girar e a parar sucessivamente, nas etiquetas que tinha escolhido na dissolução dos seus vícios. Divagava na junção dos papéis e na resposta misteriosa que a desconhecida lhe tinha entregue.
Havia um vasto silêncio, mas a razão de tudo estava ausente, e a sua ausência transformara-o num quadro inquisitório onde se desenhavam fogueiras de esquecimentos ardendo vivamente os processos do seu silêncio. Estabelecia-se num seio de torturas, erguido por uma enorme corda de palavras que estrangulavam as raízes da sua memória, sob formas de soluços angustiados expressos no seu rosto pálido. Ardia-lhe, doía-lhe o peito, sobre as correntes gélidas vindas de Asgård… mais uma luz que se expôs, mais um pedaço de vício que se dissolve ardentemente, uma aversão grandiosa à deusa da tômbola. Desejando que desta vez viesse também a flutuar sobre o bafo de dragão, Thor cumpriu o seu pedido exaltado e ergue-se em raios sobre os céus, concentrando o pensamento do mestre naquela imagem tão esbelta oferecida pelos senhores da divindade.
Friday, December 07, 2007
"Como se não bastasse"
Tuesday, December 04, 2007
Enlace: Diálogo entre Eras
Passado: Sou a voz de tantos desejos… Sou um passado que virou presente, um presente que se transformou em passado.
Futuro: Sou a raiz das tuas memórias, os enfeites dos teus receios, o apagão das luzes dolorosas, o toque de sorrisos preciosos…
Passado: Quero adquirir asas e voar pelo mundo encantado dos sonhos. Sonhar, sonhar e sonhar…
Futuro: Serás magia, terás alma de pássaro inconformado. Voarás por tantos céus sob tantas nuvens, entrarás em harmonia com tantos Deuses, conceder-te-ão o futuro. A minha voz será também a tua!
Passado: Quero vaguear sobre este grande areal, marcar os meus passos em longos círculos, cansar-me e deitar-me na areia húmida baptizada pelo mar. Desejo acordar mais tarde, quando a água vier discretamente abençoar os meus passos, então erguer-me-ei sobre o painel do horizonte. Será que alguém me pinta do outro lado?
Futuro: E do horizonte, o vento enviará os murmúrios dos teus desejos, ouvir-se-á os assobios das suas rajadas a flutuarem pela suave figura da atmosfera. Os ares em constante movimento irão acariciar os teus longos cabelos, penteando-os de uma forma tão fraternal.
O vento não era artista solitário, um pequeno Dente-de-Leão fizera-lhe companhia na transição, alguém o pintou no outro lado do horizonte.
Futuro: Fui eu! Bailará o doce Dandelion.
Circulava à sua volta, dançando através das linhas do vento, eram ensaios de quedas propositadas. Timidamente ia caindo dos ares, o vento parou, o pequeno ser pousou e enroscou-se no seu ventre.
Observara todo o seu movimento de aproximação, sorrira sensações através da dádiva, passando a sua mão leve, suavemente o mimou, deu-lhe razão, atribuiu-lhe vida e lhe falou…
Passado: Raiz dos meus ensejos, flor terna oriunda do horizonte, que pousaste no jardim dos meus desejos. Olha-me, beija-me… deixa-me amar-te, plantar-te para sempre na minha vida. Quero tratar de ti, tornar-te única, dar-te este oceano, este sol…
Futuro: Será a tua casa, o teu desejo ambicioso. Escutarás este doce canto, ouvirás gritos de criança quando embalares esse pequeno ser com tanto amor. Terás o desejo de lhe tocar a alma com um simples sopro. Sou a brisa do mar, a iguaria dos teus refúgios, as cores ao qual te pintam no horizonte…
Passado: Um som que nos banha entusiasmadamente, uma brisa do mar… É aqui que as nossas vidas se entrelaçam. Une as tuas mãos às minhas, abraça os teus olhos nos meus para o resto da vida. Transformar-nos-emos numa lenda só nossa, percorre comigo este areal até ao seu fim, até nos cansarmos os dois. Partilharemos este enorme leito repleto de frenéticos grãos de areia.
Futuro: Ela fechará os seus olhos, sonhará…
Abrirá os seus braços, levitará sobre o vento e o mar, cantando a vida, o amor, a amizade e o tempo.
Lá do alto, no seu panteão imaginado, gritará ao mundo a razão dos seus sentidos, olhando eternamente para o seu doce e calmo Dandelion.
Alguma inflorescência prateada soltar-se-á, o vento murmurará tempos de mudanças. Dos ares a Deusa, encherá a bacia oceânica, gotas e mais gotas, o mar ressentir-se-á… choro das saudades de passados tão recentes.
Passado: Viverias o mesmo outra vez? Uma vida, queres partilhá-la comigo?
Futuro: Sou a bonança, o dom deste doce aconchegar. Solto lágrimas de alegria, sorrisos que pintariam tantos horizontes. Sou anjo sem asas, sou pintor da tua vida que também é minha, pintor da minha vida que também é tua.
O Dente-de-Leão voará contigo, de olhos bem abraçados nos teus!
E o vento voltou a soprar rumo ao horizonte…
Futuro: Sou a assinatura da adaptação, a visão da divisão do tempo através de horizontes bem delineados, Eras…
M.M.
Saturday, December 01, 2007
Paikea
As nossas pegadas anseiam por ti, chamam-te sob vestígios de força, escrevem-te através de apelos apreensivos: Paikea, ritmo das nossas vidas isoladas, solidão dos poetas incompreendidos, aparece novamente na película das nossas vidas… Sobressai das ondas do mar, imune a todas as correntes das marés.
Um dia, vais emergir no mundo, vinda das profundezas azuladas, com esse olhar tão simples, tal qual o mundo te aguardava nas suas descrições passadas, a água transformar-se-á numa reunião de gotas que percorrerá todo o seu corpo, e se despedirão sob os longos circuitos dos seus cabelos. Sob o canto das tribos a jubilarem pela tua permanência, ficarás intacta perante tantas almas que ocorreram às margens para atingirem a descoberta, para darem voz à tua vinda, chorando a sua felicidade.
Um pequeno guerreiro maori chegar-se-á na frente de todos os espíritos e soltará a sua voz:
Ko wai te whare nei e?
Ko Te Kani.
Ko wai te tekoteko kei runga?
Ko Paikea! Ko Paikea!
Whakakau Paikea Hei!
Whakakau he tipua Hei!
Whakakau he taniwha Hei!
Ka u Paikea ki Ahuahu Pakia!
Kei te whitia koe
Ko Kahutia te rangi. Aue!
Me ai to ure ki te tamahine
a Te Whironui, Aue!
Nana i noho te Roto o tahe.
Aue! Aue!
He kororu koe, koro e.
E Paikea aparecerá e nada a destronará do cimo das ondas, sejam elas meigas ou raivosas, tenham elas tempestade ou bonança. As pegadas de uma voz estranha, abençoarão a sua vinda junto ao mar, sob o olhar de tantos deuses. A sua estranheza virará vergonha e a sua vergonha virará abraço reconfortante... e há tantas maneiras de se abraçar alguém... Cada situação, lugar, expressão... contam-nos os movimentos rítmicos das ondas que te aguardam no pacífico sul.
M.M.
Milan Kundera, In "Ignorância"
"Como podem dois seres tão estranhos um ao outro, tão opostos, ter a mesma letra? Em que consiste essa essência comum que faz dele e daquele ranhoso a mesma pessoa?"
Wednesday, November 28, 2007
Choro das Árvores de Outono
Esperámos tantos meses e nem demos conta desta corrida de velocidades estonteantes com um certo sabor a loucura.
Tivemos tempo para pensar numa após outra a flutuar neste doce mar que desaparece da vista do nosso olhar e nunca nos passou sequer pela imaginação uma simples memória deste momento tão único, verdadeiramente oculto de todos os pensamentos que possamos obter na conjunção de cálculos diários, mensais, quem sabe anuais.
Então conto-vos… Ora mantêm-se intactas, ora ouvimo-las a rugir sob os impulsos das ventanias que do breve ao grave as mantêm vivas.
Chegou a bonança, deslumbre das nossas mentes esquecidas, e são tantos segundos de encanto, serão tantas imagens maravilhosas que a nossa mente vai apagar desnecessariamente. O vento saltou das brumas, elas caíam… o inevitável ser humano lembrou-se, levantou as mãos mostrando a sua pureza aos céus e abraçou todas as gotas imaginárias que a árvore largava em pequenos soluços naturais, enquanto o vento lhe gritava… a árvore chorava o esquecimento.
Sempre contaram-me que se tratava de um correr de estações, chorará por mais esta corrida infernal?
Aproveitemos a dádiva, amanhã serão recordações perdidas a rolarem através dos suspiros melancólicos do vento. Conseguirás ler o tempo?
M.M.
Sunday, November 25, 2007
Queda de tantos Romances
O vento soprava de norte para sul, amarguradamente atravessava cenários, milhares de imagens, quilómetros de reviravoltas sem parar. Ia entrando pelas portadas de uma e outra habitação, vagueando por todos os cantos dos corredores, entrando em tantos quartos repletos de capítulos extasiados por tantas e felizes memórias pictográficas… Hoje reviu quadros manchados por uma tristeza que cobriu mais uma casa deste mundo de perdições reais, os discos de vinil tocavam silenciosamente a amargura daquelas lágrimas; saltou, ganhando vida própria, surgiram revoltosamente tornados de melancolias e saiu em fúria na direcção das portadas que ainda abertas fizeram uma enorme corrente de ar, levando tudo o que havia à sua frente, tantos momentos felizes que se estilhaçaram pelo chão, formando-se enigmas pelos mosaicos, situações que serão tão difíceis de voltar a resolver. Saiu, percorrendo em rodopios de fúria os jardins que outrora eram ninhos de declarações preciosas, onde as palavras de tantos amores contavam histórias de sorrisos intensos, lágrimas abençoadas… tantos factores que lhe davam incentivos para continuar a rodopiar sobre o mundo.
Hoje absorve-se, tornando-se num estereótipo de vagabundo que veste a pele de um trovador em sofrimento pela causa da queda de tantos romances. E de que lhe valerá? Seria a boa nova para um outro alguém? Estaria aquela encantada face amargurada à espera da aclamação do palpitar intenso do seu coração? Indecisão! Talvez recusasse esse pensamento, vagueava apenas por um jardim, onde as suas rosas brotavam os seus desejos e lhe falavam dos tempos áureos em que eram símbolos de enorme importância sob anos sem fim. Falava-lhe também do presente e do desejo de um dia voltar a acreditar que aquele espaço tão belo, tão harmonioso, repleto de paixões escondidas, nunca mais seria um cemitério, onde o romance cairia sem piedade. Outrora era o nascimento, no presente era o desenvolvimento de um sentimento muitas das vezes fugaz e sem brilho, e num futuro será renascimento? O vento deixando os suspiros de vassalagem, regressou ao seu estatuto natural deixando a doce terna alma em descanso. Inverteu a sua marcha, sopram agora rajadas de sul para norte…
Thursday, November 22, 2007
Aquele livro em Branco...
São tantas as palavras que me faltam, são tantas as ideias que tenho para preencher este vazio repleto de céu. As páginas em branco ganharam expressões, num impulso… um folhear de vidas, de histórias silenciosas, vejo palavras a formularem-se diante dos meus olhos, comunicam-me…
Porque não pegas nessa imensidão de cores que possuis e rabiscas este meu branco profundíssimo até aos limites? Porque não se tratam de rabiscos, tu apenas precisas de respirar em liberdade, não precisas que te retirem espaços, precisas de todo o espaço e mais algum.
É uma história pintada de branco? Não, tem tantas cores e figuras, tantas emoções e sentimentos… mas esta história já teve à muito o seu fim, hoje o branco é a doce harmonia que o meu espírito desenha em ti.
Isso significa que não tens sequer uma palavra visível para mim? Foram todas visíveis em tempos, hoje são apenas visíveis na minha mente.
Mas então, para que sirvo neste momento? Servirás os comandos das boas recordações, e serás lido em suspiros de nostalgia, és mais uma época de tantas vidas, algo que todos irão querer relembrar por boas razões.
Monday, November 19, 2007
Portas do Medo
Vejo e revejo ecos de angústias habituais, oiço choros indetermináveis…
A fechadura desliza de uma forma tão natural, esta porta destranca-se tantas vezes, emite tantos ruídos infernais, corrompem-nos os sentidos mais sensíveis, atacam-nos de forma tão cruel, deitam-nos num chão imenso, sem cor, sem brilho… é um dilúvio de tudo, um vazio de nada; um mundo rodeia-nos mas, sentimo-nos tão sós nestes instantes, é como se tivéssemos sido consumidos por algo que tantos conhecem mas que não conseguem explicar, desenhar, acima de tudo fugir. Pergunta-lhe porque sofre, nunca terás resposta a tal pergunta, apenas sentirás os tremores de uma alma ferida por um intenso odor a desespero, sente-se o gosto de tantos medos, deslumbram-se dias que se transformam em anos, a porta não se fecha, é tudo tão escuro, temos medo deste convite temporal…
Fechou-se, mas alguém do outro lado tende a exaltar-se e a combater aqueles trincos com todas as suas forças.
As luzes acenderam-se, está tudo pintado de branco… Sempre sonhei viver neste iglu com portadas viradas para o céu!
M.M.
Saturday, November 17, 2007
"Kepéla"
Para o atravessares, basta encontrares um motivo e ficaremos na mesma margem.
Entra nas águas revoltosas apenas se tiveres saudades, se não as sentes, deixa-o sozinho, sentado lado a lado com o silêncio.
Friday, November 16, 2007
Discípulos da Preguiça
Estava tanto vento e nos céus voava ela, rumando contra as ventanias consistentes. De cabelos erguidos seguia-lhe as asas, eram fortes e tão ligeiras, passeava-as sem objectividade no seu rumo ao longo dos minutos de batimentos reforçados, até que se cansou e pousou bem ao meu lado…
Sorriu-me, tinha uma vaga memória daquela imagem, daqueles olhos… de onde me lembraria? Tantos anos de retrocesso da mente num espaço tão curto de tempo, eis que me lembraram da sua figura amigável. Nos livros infantis trouxe-me ao mundo, ainda me recordo desta imagem tão boa, tão feliz; num lugar tão colorido, que sempre me fez pensar e acreditar que não existiam problemas no nosso mundo.
Mas como teria saltado dos livros dos bonequinhos simpáticos e bonitos? Será que lhe custou muito?
- Depois de tantos anos volto a encontrar-te. Hoje faltaste ao serviço das histórias de criança? Vejo-te em contornos destacados de descanso, vieste relembrar o berço da preguiça onde me deixaste? – Retorquiu o jovem rapaz.
- Chamaram-me tanto que voei desde as histórias dos livros de contos até à realidade, foram anos de viagem sem descanso, a fantasia fica tão longe, nem imaginas o quão longe… Não larguei nenhuma das minhas histórias, sou apenas uma réplica de tantas elas, de tantas diferentes versões. – Disse a Cegonha.
- Então conta-me réplica, diz-me o teu nome, conta-me baixinho ao meu ouvido, porque te enganaste comigo? Perdeste-me no espaço, antecipaste-me no tempo. Onde está a minha versão feminina? Onde está aquela que deveria ser a minha gémea? Que contas tão estranhas foram essas? – Questionou o rapaz.
- Sou a cegonha Preguiça, olha para mim, deixa-me sussurrar-te ao ouvido. Ela está no seu lugar correcto, nesta vida não tive paciência para um grande enquadramento, agradece-me nem sempre a irmandade é tão bonita como uma amizade fortíssima, concordas? – Perguntou a senhora da preguiça.
-Mas… - Soletrou com ímpeto o seu discípulo.
A senhora cegonha interrompeu-me!
- Não digas nada, eu sei que concordas comigo. No passado talvez tenha-vos entregue a irmandade, hoje entreguei-vos a amizade em parceria com o amigo destino, têm todas as possibilidades, escrevam a história tal como quiserem.
- Ainda tenho outra longa viagem para fazer. Adeus meu filho. – Concluiu a Cegonha.
- Adeus senhora cegonha. – Disse o jovem rapaz, acenando para os céus.
E a cegonha seguiu viagem rumo ao passado, voou e voou, para um país bem distante, o vento saiu mas chamou o frio para o substituir, lá de cima viu uma menina sentada num jardim, soou-lhe a alguém familiar, e de bico bem levantado decidiu voltar a terra antes de voltar à eterna fantasia… Aterrou, assustando a menina, que ficou apavorada e correu para trás de uma árvore… lá de trás, só se deslumbravam os seus olhos brilhantes, que espreitavam discretamente, aguardando a ida da grande cegonha, mas esta ficou estática, não tinha intenções de sair dali tão cedo, então a menina saiu de trás da árvore em passos de medo, estava bastante encolhida.
Depois deixou que as suas palavras saíssem com dificuldade…
- Quem és tu? Que susto… - Disse a menina bastante assustada.
- Sou a história da tua infância, não te lembras? – Perguntou a cegonha.
- Não, tu só me fazes lembrar sustos, tenho medo de ti, desculpa ave grande. – Disse a menina de forma sincera.
- “Mamã, mamã, como vim eu ao mundo? Foi a cegonha que te trouxe filha”, lembras-te destas palavras? Não faças beicinho menina, não te vim fazer ma, vim contar-te um segredo… - Disse a cegonha.
- Ah! Sim, a mamã sempre me disse que foste tu que um dia me trouxe cá para casa, és tão grande, tão branquinha, posso voar em cima de ti? Vamos ver o castelo flutuante, sim? – Questionou a menina, agora sem receios…
- Não! Hoje ficas aqui quietinha no jardim… Um dia vais viver num castelo bonito, vais-te perguntar como entraste lá dentro e como te deixaram ficar por lá, vais questionar tudo e mais alguma coisa, vais questionar-me a mim também, porque poderás jurar que na torre vive um menino muito semelhante a ti e não saberás explicar porque foste lá parar, mas vais sentir-te bem. – Disse a cegonha.
- Que história bonita é essa? Conta-me… - Pediu a menina.
- Hoje não. Um dia vão-te a contar. Lembra-te no futuro dos traços que o destino te colocou, lembra-te da cegonha preguiçosa que te trouxe ao mundo. Tenho uma viagem longa, adeus minha filha! – Disse a senhora cegonha.
- Adeus Ave grande, faz uma boa viagem. – Disse a menina, acenando para o céu.
Rumou aos céus, seguiu pelos trilhos das nuvens e desapareceu nos céus, na sua viagem até ao mundo da fantasia, deixando para trás os seus discípulos... em espaços temporais completamente distintos.
Quem seria ela? Que me queria a mim? Que história tão estranha me veio contar? Será que vou viver num castelo de verdade? A mamã sempre me disse que a cegonha que me trouxe era bonita e muito amiga, os amigos são verdadeiros e sinceros, eu acredito nela… E será que viverei naquele castelo que flutua sobre as nuvens? Hum queria tanto… Gosto tanto de olhar para ele, gostava tanto de voar como a senhora cegonha para tocar no cimo do castelo. Como será? Terá reis e princesas, como nas histórias bonitas que me contam? Tantas perguntas, de certeza que vai demorar tantos anos para brincar ao castelos. Não vás senhora cegonha, vem brincar aos castelos comigo, ou trás o menino da torre para brincar comigo…
A cegonha já há muito tinha desaparecido do raio de visão, no entanto fixou os seus olhos no céu e leu nas entrelinhas imaginárias: “Um dia…”.


