Saturday, January 24, 2009
"I have a dream today"
Wednesday, November 26, 2008
Se bem me quer...
Não sei se me entendes ó psicologia desinteressada do bem me quer… se eu de querer-te tanto me esforço para além das ramagens flutuantes enxaguadas de mágoas acumuladas num fundo de destemperança. Tens razão persigo-te continuamente, persistente… corro em melodias avessas até mais não, e do senão liberdade infinita, imensidão… não coroes a minha presença… ama-me simplesmente em forma na profundidade alegre do teu ser. Que do óbvio se celebre entre os nossos braços a perseguição de tudo o que nos quer e o que não nos quer nem a bem nem a mal será eternamente perdido na desconfiança da célebre novidade antecipadamente esquecida. Que bem me quer, lembrei-me… estou a prolongar-me nesta infinita noite de vida, enfim, deitei fora as malas esquecidas. Que malas? Nem sei bem… Se bem me queres é profundo, é terno na convulsão dos sentidos… “Bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer...” a esvoaçar pela brisa suspirante na encosta do monte de prado verde florido em terra natura.
Monday, November 03, 2008
Carta aos Apostolos da demagogia tão profunda como a Nostalgia!
Somos imagens plantadas no seio desta terra fortalecida de histórias perdidas por entre fendas cruéis ou de forma vangloriosa por entre os raios brilhantes que ainda se passeiam com ternura nos jardins mais floridos da nossa recordação. A reminiscência é doce e amarga entranha-se na alma e oferece-nos um gosto a estranheza, divaga nos organismos libertando-nos do vazio… Nostalgia? Claro! Temos tantos livros abertos, escrituras de um passado tão recente… Aquelas tardes apaixonantes em que todos os costumes eram por si nobres corações aventurados, deslumbrados por cada minuto em que o mar nos falava em murmúrios da sua pacata tristeza. Ouvíamo-lo entrelaçando os corações entre as raízes dos nossos dedos e chorávamos em silêncio a sua dor sagrada. Nostalgia presente nas memórias da sensibilidade, há quem a tema na perplexidade das lágrimas que correm sem parar na espera que a lembrança surja e lhe escoe a tortura presente no seu peito… Confia em mim, sei que percorres alegremente o meu corpo, silencia as tormentas, escreve-lhes as sonatas mais belas, em suma, reaparece numa erupção volumosa sob as ordens simples de um olhar tão forte que vindo do nada nos arrepia e nos enamora imaturamente sem razão aparente de ser… Em instantes benevolentes recriamos romance, um pôr-do-sol, umas estrelas brilhantes, uma lua, um sol e alguém sentado ao nosso lado que faça dia, faça noite jamais será esquecido… Eu lembro-me… Foram tantos caminhos felizes sem noções de um amanhã, tantas pedras invisíveis aos nossos olhos perdidos no encantamento, razões sensoriais ao nosso sofrimento. Momentos sofríveis, desprezíveis numa troca abundante de vidas e mesmo assim, mal sabem vocês das saudades que tenho de vocês… De ti, de ti… mais de ti e a ti também… Das lágrimas aos sorrisos espontâneos e sentidos, uma celebração natural das nossas palavras.
M.M.
Saturday, September 13, 2008
Do servo para a sua ama
Saturday, August 23, 2008
Parte 2: Liberdade em Chamas/ Chamas em Liberdade
Dois passos atrás, um grito vazio (consumido em mim) percorria o seu sentido inverso e afinava com repreensão as minhas cordas vocais, o silêncio… Mais um passo, o recolher de um pensamento refugiado escondido no nada. Não necessitava de mais passos, o ar fugia-me e afogava-me num mar desenhado no interior da minha mente, os meus olhos recolhiam na neblina e tudo era visualizado em relances de um olhar pasmado diante das chamas a lutarem entre estados de espírito descontrolados… Tudo compreendido numa memória de nanossegundos contabilizados pela falta de inércia dos meus dedos. O pensamento imobilizava-me por completo, jamais poderia voltar a dar dois passos em frente e ultrapassar a linha… a tal linha que impulsionaria de novo aquele grito que estava agora a entoar ecos sofríveis dentro de mim. Necessitava de luz, uma espécie de combinação entre alma e magia. Breve, semi-breve… tão breve e suavemente soltara-se uma chama, concedi-lhe carregando em dificuldade no manípulo suado do meu isqueiro enquanto fechava os olhos em busca do raciocínio imediato. A loucura aproximava-se de mim sentia que me carregava aos seus ombros e quando abri os olhos a chama era divina e sagrada, não era loucura não… ateava a estrada que me convidava à salvação… a estranheza viera entregar-me concelhos e levar-me à liberdade…
Soltando as nossas chamas com todas as forças que propusermos a lá deixar num caminho de retorno… A verdade é que tanto poderemos ter força para cobrir de chamas um tumulto como encher de paz o nosso mundo.
Thursday, August 14, 2008
Parte 1: Chamas a Liberdade
Substituam todo esse ruído submerso de contradições e de equivalências sonoras sem nexos e aprendizagens – Para quê revolucionar todo um ambiente e criar muralhas entre as respeitosas audições? -, dessa forma andarão constantemente a flutuar num vasto rio sem pescadores, ou melhor, os pecadores existem mas na verdade a sua consciência não vos deseja. Portanto, absorve todas as locuções e interliga-as, mas peço alma, muita alma… Para maravilhar toda esta transformação! Na teoria pedia silêncio, nem que fosse ocasional, um sussurrar ligeiro e um grito profundo quando pisares a linha que te colocará em liberdade.
Agora que és livre, ainda duvidas que somos mágicos, críticos, criadores e leitores de tantas liberdades e pensamentos? Enfim… O pensamento retornou veio educadamente instalar-se no seu berço de corridas imaginações.
Saturday, July 26, 2008
Encontro no seu desencontro...
Sunday, July 20, 2008
Juan Ramón Jiménez

O Canto do Grilo
"As horas passam, serenas. Não há guerra no mundo e o lavrador dorme tranquilo, vendo o céu no fundo alto do seu sonho. Talvez o amor, entre as trepadeiras de um muro, ande extasiado, de olhos nos olhos. Os favais enviam para a aldeia mensagens de terna fragrância, como numa inocente adoloscência cândida e subtil. E os trigos ondeiam, verdes de luar, suspirando ao vento das duas, das três, das quatro horas... O canto do grilo, de tanto suar, perdeu-se...
Saturday, June 21, 2008
O canto do ausente
Tuesday, June 03, 2008
Nostalgia a todos os Troianos de hoje...
Sunday, June 01, 2008
Chamamento!
Wednesday, May 07, 2008
Insónias
Monday, April 21, 2008
Na breve explicação...
Saturday, April 12, 2008
No labirinto das conferências.
Havia, ainda existe, um lago de evasões pintadas com cores abstractas infligidas pela doença da saudade, aquela sensação de inquietação danada irreversivelmente plantada naquele chão de esperanças fúnebres numa mistura envolvente com as cores vivas dos seres vivos e formosos que a tantas vidas transformou. Nesse espaço aberto ao vento coberto pelos zumbidos retorcidos da poluição rolam os cochichos das páginas que se desfolham em curiosidade, saem à rua o bando das amarguradas más-línguas que nos olham em desalentos terrores de entre os nossos ternos louvores a sobrevoar as graciosas correntes das temperanças que das lembranças nos recordam aqueles instantes formulados por uma dinastia vaga repleta de magia.
E nos fluidos abstractos, sobre as pedras que se resguardam nos confrontos com as águas mortas, rodopiam uns patos mansos ou bravos, é incerto e confuso que nem eu sei, que à nossa vista tão longínqua serão imagem ausente ou muito vazia, passam por símbolos carismáticos daquelas tardes de preguiça serena, da conversa amena em que os nossos corpos habitavam em tranquilidade na gruta das estalactites e estalagmites com o seu nome de amizade.
Um passo é presença e será sempre lembrança desta enorme conferência que o mundo numa compressão de corpos entregou, respirando ares que a essência de uma alma nos pode oferecer num espaço de minutos simples e inesquecíveis.Monday, April 07, 2008
Aquele que não tem nome.
Quando fechei olhos ela apontou-me a sua luz, não podia fugir, fez-me prisioneiro debaixo de um manto de sensações. Sunday, April 06, 2008
Sou um animal estranho na madrugada!
Nem sempre somos unânimes e cordiais no regresso do desvastante temporal. Naquela noite carregada de sentimentos desgastantes, onde a amargura exclamou ritos e gritos, entreguei-me em passos sofridos sobre aquela estrada de macuas. Estávamos perdidos, sempre o soube, olhavas-me como se o teu fim fosse um chamamento prévio, um ponto sem retorno. Agarrei-lhe na mão que em tremor arrastou o vento e congelou-me a visão... Durante alguns segundos acreditei que a luz fosse mais reforçada e que toda a sua vontade nos levasse à vaga ideia de um choro requisitado pela sábia conquista da tristeza. O túnel é vago, uivos são entoados entre ecos que nos desprezam… Aproximou-se, juro-vos que me mantive intacto…
Monday, March 24, 2008
A ausência do sempre presente...
Esse livro é ausência do sempre presente que em devaneios foi concedido ao mundo; é peripécia dos guerreiros velozes, de corpos atrozes, a combaterem as linhas impostas em mim. É chuva impiedosa vestida do nada, que em pensamentos longos nos circulam sem fim.
E o sempre presente se sustenta entre linhas e cores, sobre sorrisos e lágrimas, as palavras de um adorno eterno. Da escuridão surgiu brilho em formato de sonho e o brilho devolveu-nos a divina esperança, são as lágrimas desse livro encantado, brilhando em nós sorrisos e amizades.
E se quisesse que um dia fosse livro,
Chamar-te-ia à minha noite terna e sagrada para em breves segundos alimentarmos a nossa alma com a suavidade destas palavras…
M.M.
Monday, March 03, 2008
Enlace: Do céu ao Mar
Gota de chuva, voas tu sob os suspiros de vento, ergues-te e levitas sem temer a reacção de todos estes elementos que a mãe natureza nos concedeu. Escreve-se nos céus, suspiro das lágrimas de vida, que o medo não te possua, vamos escrever a passagem das nossas vidas.Na chegada a bênção das boas vindas, aclamando suspiros de felicidade, sensação de uma casa habitada nunca antes deixada pelos instintos fortes da sua emoção. Instala-te nestas belíssimas barreiras de coral, divaga entre sonhos e desejos... agora conta-me em palavras de mansinho, ainda no presente te agonia a dolorosa permanência da solidão?
Não sei bem. Não sinto bem. Ela só aparece quando não estou dentro deste mar ou desta casa ou quando todas as nuvens ficam carregadas de chuva. Mas depois as gotas vão caindo e eu vou ficando melhor, o escuro das ondas vai desaparecendo e eu vou ficando melhor. Fico melhor quando estou segura, quando olho para as luas que me guardam, quando passeio pelas areias branqueadas do fundo do mar... Fico melhor quando falo de mansinho, sem pressas neste caminho.
Agora, diz-me, como é sentir as gotas a unirem-se a este mar?
Não há breves nem outros tempos condicionais. Só há uma tela que eu vou esboçando com traços de tinta de chuva. Enquanto pinto, as gotas caem-me para os olhos adormecidos e dou asas à criação. Com ou sem mérito, pinto. Pinto-te. Rodeado de abraços tão fortes, mas sem rancores ou olhos tristes. Os teus brilham quando encontram o primor dos meus traços ou as ondas da tela que inspiram os meus e os teus sussurros. Também os ouves, porque és sábio. E a voz, pequenina, fala-te do sonho e da esperança, fala-te do dom das gotas invisíveis de palavras.
Gostas da música?
Sunday, February 24, 2008
Vörösmarty Mihály (1800-1855)
Poet and dramatist who helped make the literature of Hungary during the era (1825–49) of social reforms. By ridding Hungarian literature of overwhelming classical and German influence, he made it national not only in language but in spirit. Born into an impoverished noble family, Vörösmarty soon had to provide for himself. From the age…
Por teu amor, / Szerelmedért
destruía a razão / Feldúlnám eszemet
e,com ela, todos os pensamentos, / És annak minden gondolatját,
e das doces imagens região; / S képzelmim édes tartományát;
alma soltava aos ventos, / Eltépném lelkemet
por teu amor. / Szerelmedért.
Por teu amor, / Szerelmedért
árvore era no cume / Fa lennék bérc fején,
de rocha,verde folhagem vestia, / Felölteném zöld lombozatját,
sofrendo raio, temporal em fúria, / Eltűrném villám s vész haragját,
e no Inverno morreria, / S meghalnék minden év telén
por teu amor. / Szerelmedért.
Por teu amor, / Szerelmedért
pedra da rocha era, / Lennék bérc-nyomta kő,
ali no fundo em chama ardente, / Ott égnék földalatti lánggal,
numa dor insuportável deveras, / Kihalhatatlan fájdalommal,
sofrendo mudamente, / És némán szenvedő,
por teu amor. / Szerelmedért.
Por teu amor, / Szerelmedért
alma solta um dia, / Eltépett lelkemet
a Deus pediria que devolvesse, / Istentől újra visszakérném,
ornando-me com virtude maior, / Dicsőbb erénnyel ékesítném
e, alegre, eu ta daria, / S örömmel nyújtanám neked
por teu amor. / Szerelmedért!
Thursday, February 21, 2008
O Eterno namoro entre a estrela e o mar!
O que seria de ti eterna luz cintilante se vivesses sem a bravura deste mar? Sob o teu olhar intenso descreves os teus passos mágicos na areia encharcada pelos carinhos que a tua água te presenteou, sentes o ruído dos cochichos silenciosos a entregarem-se à divina orla das ondas abençoadas, respiras esse cheiro de uma melancolia deveras intensa, poderás algum dia não retratar este quadro como uma monotonia tão feliz? Estão tão sós e tudo permanece nos seus alcances, nos palmos de terra que se esvoaçam pelo ar… A proximidade é bem diminuta, julgamo-los longínquos na sua raiz de visões, na sua contabilização suprema de quilómetros sem fim.
Veneram-se congratulando-se desse amor, amam-se invocando Vénus em todos os altares percorridos em terra ou mar, aclama-se que os seus espíritos se transformem num só corpo celestial manchado em brandas pinceladas de um brilho harmonioso; num corpo marítimo erguido por outras tintas maltratadas, vítimas de um desespero ruidoso para a alcançar.
Sobre esta noite que um Inverno de fria não implementou, baptizo-os alegremente sobre o coroado de algas dispersas entre braços, o amor, a amizade e o vosso luar. Onde as mãos destes seres se cruzam e se desejam unidas até o dia tristemente raiar.
O que seria de ti sem esta noite?
18/02/2008
M.M.
Wednesday, February 06, 2008
Desejo
Monday, January 07, 2008
As sete chaves de Orlög
O pequeno mestre viajava pelos ares, mas de nada se apercebia, a sua anestesia temporária rejeitava todos os elementos, todo o tempo. O tempo que não podia ver, ouvir, pesar, o tempo que não podia dividir e desenvolver num laboratório. É um sentimento sentido de nos transformarmos no que somos em vez do que éramos há um segundo atrás, transformarmo-nos no que seremos noutro segundo. O pequeno mestre equiparava-se aos hopis na sua maneira de ver o tempo, via-o como uma paisagem, está atrás e à frente de nós. Soou um alarme, o seu relógio mede-se a si próprio, o objectivo do seu relógio é outro relógio.
E o que era o pequeno mestre no nanossegundo anterior? O seu relógio teria que dar uns consideráveis passos atrás, onde encontraríamos o brilho dos seus olhos a descer de cena tal e qual como umas cortinas a fecharem-se rispidamente quando acaba mais uma peça de teatro, desde então o pequeno mestre encontrava-se inconsciente e aí alguém intrometeu-se nos seus pensamentos sonhadores, uma voz escondida entoava-lhe palavras:
- Sabes de onde vens? Precisarás de o saber, para obteres certezas acerca do teu destino!
O pequeno mestre tremia na sua inconsciência, eram questões que o seu silêncio não poderia responder. Porque se tinha ele tornado um vulto com rastos apagados? Porque não tinha reacções para além da sua pele arrepiada que de longe não saberia sequer um alfabeto digno das respostas essenciais.
- Calma, estás nervoso, nós sabemos, calma… Somos a bússola que orienta os teus sonhos daqui em diante, enviaram-nos de Orlög, somos a combinação de factores e acontecimentos que determinam o presente, em função do passado, e cria o futuro, a partir do presente. Terás consciência do teu presente? Saberás de quem são essas asas que te arrastam pela atmosfera? Então escuta-nos, seremos a tua consciência e a tua protecção quando os teus olhos de novo surgirem, escreveremos a tua Wyrd (Destino pessoal) sentadas na brilhante constelação de Órion onde teceremos com cuidado e atenção o fuso da Deusa Frigga (Senhora do Céu e do Tempo, que de tudo sabia, mas de nada falava). Mas cuidado há coisas que nem as Deusas de destino conseguem corrigir num temporal, as palavras são sentenciadas pelos fortes encantamentos de Frigga, o fuso é seu, nós só tecemos esta grande teia que se estende sobre a Terra, de leste a oeste, acompanhando as trajectórias do sol.
O pequeno mestre mostrava-se cada vez mais apreensivo nos seus movimentos e rebolava o seu nervosismo pelo dorso da ave gigante, o seu rosto mostrava-se cada vez mais esgotado, carregado de gotas febris de um suor que derivava as palavras das nobres Nornes (Deusas do Destino).
- Não te esqueças, vais-te lembrar dos nossos nomes quando olhares para Órion, Urdh (Aquilo que foi), Verhandi (Aquilo que está sendo) e Skuld (Aquilo que virá a ser). Somos o ensinamento da humanidade, a compreensão das lições do passado, o uso das mesmas no presente para que no futuro evites os transtornos do passado. Quando acordares passa a mão pelo que te rodeia e sente o bem e o mal, aí saberás tirar partido da tua consciência educada no presente.
Passados alguns minutos, acordou, abriram-se as portas do seu olhar, lá no alto brilhavam estrelas encadeadas e sem saber ao certo só soube dizer “Aquilo que foi, aquilo que está sendo e aquilo que virá a ser”.
M.M.
Friday, January 04, 2008
De volta a uma casa!
Tuesday, December 25, 2007
Neste Natal...
Chegou a hora de te presentear meu amigo, senhor das minhas confidências, honra das minhas histórias… Hoje trago-te algo mais directo, sem palavras escondidas, ofereço-te a ti e aos teus leitores, os meus desejos e de um outro alguém, um alguém mais pequenino, ficaste com curiosidade, não foi? Eu sei que sim, sinto aí uma ansiedade a pairar no ar. Hoje temos companhia, sabes? Hoje temos uma criança a acompanhar-nos, o Natal é essencialmente delas, das crianças; hoje deparo-me a pensar, o que seria do Natal sem as crianças? O que seria desta época festiva sem os sorrisos humildes das crianças? E esta que está ao meu lado sabe sorrir por ele e pelos outros, aqui está a essência maravilhosa… Pede Afonsito, diz aos senhores o que queres neste Natal que o tio acompanha-te. Vamos fazer um jogo bonito, cada qual escreve os seus desejos para depois pendurarmos na nossa árvore de Natal imaginária. Vê como é bonita, tem tanto brilho, tantas cores, podíamos ficar aqui tantas horas a aproveitar a moleza das horas e ficaríamos encantados com tanta magia, não era? Mas não vamos ficar… Vamos lá pendurar os nossos desejos? Vamos… Pensa!
Quero algumas roupas e alguns brinquedos cá para casa.
Desejo tanta coisa, que às vezes interrogo-me daquilo que eu pretendo realmente… Para o mundo gostava da impossibilidade, a paz é algo que tanto pedimos mas é algo que nunca chegará até nós na sua totalidade; e penso neste momento naqueles que ainda choram as suas perdas, nos que nem uma família têm, nos que andam perdidos no mundo encostados numa dessas esquinas sombrias, atormenta-me… para esses só queria que o mundo lhes desse algo de melhor.
Quero que os meninos pobres tenham também algumas roupas e brinquedos.
Desejo que todos os meus amigos me guardem num manto de sorrisos, me deixem por lá a descansar no desfrute da comodidade e me acordem quando acharem por bem faze-lo.
Quero que os meus amigos estejam contentes.
Desejo de ser abraçado por tanta gente e por tantas lágrimas, que corram para mim e me digam em sussurros ao ouvido “és tanto para mim”.
Quero a mãe e o pai felizes.
Desejo a felicidade a todos os meus amigos e a toda a minha família, eles que caminham no meu castelo, ainda se lembram do meu castelo? Contava que a consoada fosse mais reunida, eu na torre olho para todos vós e choro lágrimas de alegria, acarinho as vossas imagens tentando as tocar profundamente através de gestos lá do seu alto, sou tão fraco dentro do meu forte. O meu coração que escorrega quando vos vê a todos. Ainda no outro dia pensei, será que tudo isto tem limites?
Vem meu pequeno, corre na direcção dos meus braços que eu erguer-te-ei bem alto onde colocarás a nossa estrela dourada, agora distribui os nossos desejos por este verde fascinante, a esperança da realização está dentro dos nossos corações. Anda meu pequenito dá a mão ao teu tio babado, vamos passear neste Natal e espalhar sorrisos por essas ruas coloridas. Então cantaremos o Natal…
Um sorriso brilhante,
M.M.
Sunday, December 23, 2007
Comunicado da Lua II
Boa noite, cá de cima a lua brilha na sua plenitude diante das fabulosas aberturas que o céu hoje nos oferece, as nuvens tomaram liberdade de permanecerem em descanso sobre o seu grandioso leito. Em noite de lua cheia voo sobre os céus e sento-me no grande círculo dos feitiços nocturnos. Daqui, torna-se curioso perceber o verdadeiro significado de Kepéla; este é cada vez mais rigoroso, não serão apenas rios – e a devida distância entre as margens -, daqui denotam-se oceanos de distâncias, horizontes inalcançáveis; ou associarei Kepéla às minhas eternas barreiras, a amistosa barreira que me separa da terra onde tantos ficam, cada vês mais se escondem nas barreiras grandiosas. Vamos todos perdendo o rasto de nós, não é verdade? Tão longe e tão perto… Preferia claramente que as barreiras fossem obras muito mais tardias, ficassem para os tempos em que as distâncias fossem realmente grandes! Pedras que se movem através de um trabalho árduo dos nossos braços. E realmente magoa-nos os corações!
M.M.
Saturday, December 22, 2007
Rökning Dödar: Smärta Franvaro
Por vezes não damos conta que a terra que pisamos foge de nós, desamparados deixamo-nos ir e ignoramos esse painel que nos sustem durante uma vida. Talvez por encararmos uma imagem normal, colocamo-la tantas vezes numa prateleira de recordações e deixamo-la a ganhar aquela poeira que marca o andamento da vida. “Olha, tem um pictográfico antigo, tem aquela poeira que se arrasta quando passamos o polegar sobre ela, por nos terem erguido sobre este altar talvez se tenham esquecido de mim nesta estante de madeira” lembra-se o pequeno mestre de dizer. Então caminhou, por estradas que nem os grandes servos de Asgard reconheciam nos seus mapas, os pássaros negros e gigantes guinchavam, eram ruídos incomodativos, tão perturbadores, o pequeno mestre não aguentava mais, colocou as suas mãos sobre os seus ouvidos, não dava para aguentar aquele sufoco que lhe aterrorizava a alma, o seu silêncio tinha sido invadido por saudações vindas de Nifflehein. Desmaiou… apagou o mundo das suas visões, apenas se lembrava da luta precária que sofrera naquela estante com contornos de lágrimas apavoradas. Horas mais tarde, acordou… Voava pelos ares em cima do tal pássaro gigante que virara branco, e tinha um ar fraternal e amigável; o pequeno mestre lembrou-se “tornei-me vivo, parece que alguém lembrou-se de arrastar a minha poeira, hoje sou uma imagem bem mais límpida que exalta euforias sobre as poeiras que lá em baixo outros criam”. Mas para onde viajara ele? Iria para bem longe?
Pequeno mestre que voará sobre os ares e desaparecerá do mundo, largando a sua torre de energias dissipadas rumo a Midgard ou Asgard? Para onde o levaria? Levaria-o sobre as sombras da despedida onde tantos por segundos o esqueceram...
M.M.
Wednesday, December 19, 2007
Ventania...
Sunday, December 16, 2007
Rökning Dödar: Jag har nostalgie av dig
“Olhar desolado, viste o tempo a partir e a transportar tanta gente consigo, e tu onde ficaste? Chegaste atrasado e perdeste o tempo para embarcar também naquela locomotiva. Mas não seguiam todos, dei com alguns destroços desalmadamente agarrados aos meus, mas outros, esses mesmos outros, senti naquela hora que se tinham ido embora, tal como Thor o foi para junto de Odin e Jord; e para onde teriam ido eles? E seria verdade? Na verdade, todos ansiávamos que a verdade fosse mentira, e que todos surgissem diante de nós e em breves toques de palavras atravessando o fumo -Que ainda me consome neste raciocínio -, nos digam um após outro:”Eu ainda estou aqui” ou “Jag har nostalgie av dig”.”
M.M.
Thursday, December 13, 2007
Rökning Dödar: Asgard
Então o pequeno mestre reflectiu, sobre o contar incessante dos segundos, pensava na tômbola a girar e a parar sucessivamente, nas etiquetas que tinha escolhido na dissolução dos seus vícios. Divagava na junção dos papéis e na resposta misteriosa que a desconhecida lhe tinha entregue.
Havia um vasto silêncio, mas a razão de tudo estava ausente, e a sua ausência transformara-o num quadro inquisitório onde se desenhavam fogueiras de esquecimentos ardendo vivamente os processos do seu silêncio. Estabelecia-se num seio de torturas, erguido por uma enorme corda de palavras que estrangulavam as raízes da sua memória, sob formas de soluços angustiados expressos no seu rosto pálido. Ardia-lhe, doía-lhe o peito, sobre as correntes gélidas vindas de Asgård… mais uma luz que se expôs, mais um pedaço de vício que se dissolve ardentemente, uma aversão grandiosa à deusa da tômbola. Desejando que desta vez viesse também a flutuar sobre o bafo de dragão, Thor cumpriu o seu pedido exaltado e ergue-se em raios sobre os céus, concentrando o pensamento do mestre naquela imagem tão esbelta oferecida pelos senhores da divindade.
Friday, December 07, 2007
"Como se não bastasse"
Tuesday, December 04, 2007
Enlace: Diálogo entre Eras
Passado: Sou a voz de tantos desejos… Sou um passado que virou presente, um presente que se transformou em passado.
Futuro: Sou a raiz das tuas memórias, os enfeites dos teus receios, o apagão das luzes dolorosas, o toque de sorrisos preciosos…
Passado: Quero adquirir asas e voar pelo mundo encantado dos sonhos. Sonhar, sonhar e sonhar…
Futuro: Serás magia, terás alma de pássaro inconformado. Voarás por tantos céus sob tantas nuvens, entrarás em harmonia com tantos Deuses, conceder-te-ão o futuro. A minha voz será também a tua!
Passado: Quero vaguear sobre este grande areal, marcar os meus passos em longos círculos, cansar-me e deitar-me na areia húmida baptizada pelo mar. Desejo acordar mais tarde, quando a água vier discretamente abençoar os meus passos, então erguer-me-ei sobre o painel do horizonte. Será que alguém me pinta do outro lado?
Futuro: E do horizonte, o vento enviará os murmúrios dos teus desejos, ouvir-se-á os assobios das suas rajadas a flutuarem pela suave figura da atmosfera. Os ares em constante movimento irão acariciar os teus longos cabelos, penteando-os de uma forma tão fraternal.
O vento não era artista solitário, um pequeno Dente-de-Leão fizera-lhe companhia na transição, alguém o pintou no outro lado do horizonte.
Futuro: Fui eu! Bailará o doce Dandelion.
Circulava à sua volta, dançando através das linhas do vento, eram ensaios de quedas propositadas. Timidamente ia caindo dos ares, o vento parou, o pequeno ser pousou e enroscou-se no seu ventre.
Observara todo o seu movimento de aproximação, sorrira sensações através da dádiva, passando a sua mão leve, suavemente o mimou, deu-lhe razão, atribuiu-lhe vida e lhe falou…
Passado: Raiz dos meus ensejos, flor terna oriunda do horizonte, que pousaste no jardim dos meus desejos. Olha-me, beija-me… deixa-me amar-te, plantar-te para sempre na minha vida. Quero tratar de ti, tornar-te única, dar-te este oceano, este sol…
Futuro: Será a tua casa, o teu desejo ambicioso. Escutarás este doce canto, ouvirás gritos de criança quando embalares esse pequeno ser com tanto amor. Terás o desejo de lhe tocar a alma com um simples sopro. Sou a brisa do mar, a iguaria dos teus refúgios, as cores ao qual te pintam no horizonte…
Passado: Um som que nos banha entusiasmadamente, uma brisa do mar… É aqui que as nossas vidas se entrelaçam. Une as tuas mãos às minhas, abraça os teus olhos nos meus para o resto da vida. Transformar-nos-emos numa lenda só nossa, percorre comigo este areal até ao seu fim, até nos cansarmos os dois. Partilharemos este enorme leito repleto de frenéticos grãos de areia.
Futuro: Ela fechará os seus olhos, sonhará…
Abrirá os seus braços, levitará sobre o vento e o mar, cantando a vida, o amor, a amizade e o tempo.
Lá do alto, no seu panteão imaginado, gritará ao mundo a razão dos seus sentidos, olhando eternamente para o seu doce e calmo Dandelion.
Alguma inflorescência prateada soltar-se-á, o vento murmurará tempos de mudanças. Dos ares a Deusa, encherá a bacia oceânica, gotas e mais gotas, o mar ressentir-se-á… choro das saudades de passados tão recentes.
Passado: Viverias o mesmo outra vez? Uma vida, queres partilhá-la comigo?
Futuro: Sou a bonança, o dom deste doce aconchegar. Solto lágrimas de alegria, sorrisos que pintariam tantos horizontes. Sou anjo sem asas, sou pintor da tua vida que também é minha, pintor da minha vida que também é tua.
O Dente-de-Leão voará contigo, de olhos bem abraçados nos teus!
E o vento voltou a soprar rumo ao horizonte…
Futuro: Sou a assinatura da adaptação, a visão da divisão do tempo através de horizontes bem delineados, Eras…
M.M.
Saturday, December 01, 2007
Paikea
As nossas pegadas anseiam por ti, chamam-te sob vestígios de força, escrevem-te através de apelos apreensivos: Paikea, ritmo das nossas vidas isoladas, solidão dos poetas incompreendidos, aparece novamente na película das nossas vidas… Sobressai das ondas do mar, imune a todas as correntes das marés.
Um dia, vais emergir no mundo, vinda das profundezas azuladas, com esse olhar tão simples, tal qual o mundo te aguardava nas suas descrições passadas, a água transformar-se-á numa reunião de gotas que percorrerá todo o seu corpo, e se despedirão sob os longos circuitos dos seus cabelos. Sob o canto das tribos a jubilarem pela tua permanência, ficarás intacta perante tantas almas que ocorreram às margens para atingirem a descoberta, para darem voz à tua vinda, chorando a sua felicidade.
Um pequeno guerreiro maori chegar-se-á na frente de todos os espíritos e soltará a sua voz:
Ko wai te whare nei e?
Ko Te Kani.
Ko wai te tekoteko kei runga?
Ko Paikea! Ko Paikea!
Whakakau Paikea Hei!
Whakakau he tipua Hei!
Whakakau he taniwha Hei!
Ka u Paikea ki Ahuahu Pakia!
Kei te whitia koe
Ko Kahutia te rangi. Aue!
Me ai to ure ki te tamahine
a Te Whironui, Aue!
Nana i noho te Roto o tahe.
Aue! Aue!
He kororu koe, koro e.
E Paikea aparecerá e nada a destronará do cimo das ondas, sejam elas meigas ou raivosas, tenham elas tempestade ou bonança. As pegadas de uma voz estranha, abençoarão a sua vinda junto ao mar, sob o olhar de tantos deuses. A sua estranheza virará vergonha e a sua vergonha virará abraço reconfortante... e há tantas maneiras de se abraçar alguém... Cada situação, lugar, expressão... contam-nos os movimentos rítmicos das ondas que te aguardam no pacífico sul.
M.M.
Milan Kundera, In "Ignorância"
"Como podem dois seres tão estranhos um ao outro, tão opostos, ter a mesma letra? Em que consiste essa essência comum que faz dele e daquele ranhoso a mesma pessoa?"

