Wednesday, November 28, 2007

Choro das Árvores de Outono

Esperámos tantos meses e nem demos conta desta corrida de velocidades estonteantes com um certo sabor a loucura.

Tivemos tempo para pensar numa após outra a flutuar neste doce mar que desaparece da vista do nosso olhar e nunca nos passou sequer pela imaginação uma simples memória deste momento tão único, verdadeiramente oculto de todos os pensamentos que possamos obter na conjunção de cálculos diários, mensais, quem sabe anuais.

Então conto-vos… Ora mantêm-se intactas, ora ouvimo-las a rugir sob os impulsos das ventanias que do breve ao grave as mantêm vivas.

Chegou a bonança, deslumbre das nossas mentes esquecidas, e são tantos segundos de encanto, serão tantas imagens maravilhosas que a nossa mente vai apagar desnecessariamente. O vento saltou das brumas, elas caíam… o inevitável ser humano lembrou-se, levantou as mãos mostrando a sua pureza aos céus e abraçou todas as gotas imaginárias que a árvore largava em pequenos soluços naturais, enquanto o vento lhe gritava… a árvore chorava o esquecimento.

Sempre contaram-me que se tratava de um correr de estações, chorará por mais esta corrida infernal?

Aproveitemos a dádiva, amanhã serão recordações perdidas a rolarem através dos suspiros melancólicos do vento. Conseguirás ler o tempo?

M.M.

Sunday, November 25, 2007

Queda de tantos Romances

O vento soprava de norte para sul, amarguradamente atravessava cenários, milhares de imagens, quilómetros de reviravoltas sem parar. Ia entrando pelas portadas de uma e outra habitação, vagueando por todos os cantos dos corredores, entrando em tantos quartos repletos de capítulos extasiados por tantas e felizes memórias pictográficas… Hoje reviu quadros manchados por uma tristeza que cobriu mais uma casa deste mundo de perdições reais, os discos de vinil tocavam silenciosamente a amargura daquelas lágrimas; saltou, ganhando vida própria, surgiram revoltosamente tornados de melancolias e saiu em fúria na direcção das portadas que ainda abertas fizeram uma enorme corrente de ar, levando tudo o que havia à sua frente, tantos momentos felizes que se estilhaçaram pelo chão, formando-se enigmas pelos mosaicos, situações que serão tão difíceis de voltar a resolver. Saiu, percorrendo em rodopios de fúria os jardins que outrora eram ninhos de declarações preciosas, onde as palavras de tantos amores contavam histórias de sorrisos intensos, lágrimas abençoadas… tantos factores que lhe davam incentivos para continuar a rodopiar sobre o mundo.

Hoje absorve-se, tornando-se num estereótipo de vagabundo que veste a pele de um trovador em sofrimento pela causa da queda de tantos romances. E de que lhe valerá? Seria a boa nova para um outro alguém? Estaria aquela encantada face amargurada à espera da aclamação do palpitar intenso do seu coração? Indecisão! Talvez recusasse esse pensamento, vagueava apenas por um jardim, onde as suas rosas brotavam os seus desejos e lhe falavam dos tempos áureos em que eram símbolos de enorme importância sob anos sem fim. Falava-lhe também do presente e do desejo de um dia voltar a acreditar que aquele espaço tão belo, tão harmonioso, repleto de paixões escondidas, nunca mais seria um cemitério, onde o romance cairia sem piedade. Outrora era o nascimento, no presente era o desenvolvimento de um sentimento muitas das vezes fugaz e sem brilho, e num futuro será renascimento? O vento deixando os suspiros de vassalagem, regressou ao seu estatuto natural deixando a doce terna alma em descanso. Inverteu a sua marcha, sopram agora rajadas de sul para norte…

M.M.

Thursday, November 22, 2007

Aquele livro em Branco...

São tantas as palavras que me faltam, são tantas as ideias que tenho para preencher este vazio repleto de céu. As páginas em branco ganharam expressões, num impulso… um folhear de vidas, de histórias silenciosas, vejo palavras a formularem-se diante dos meus olhos, comunicam-me…

Porque não pegas nessa imensidão de cores que possuis e rabiscas este meu branco profundíssimo até aos limites? Porque não se tratam de rabiscos, tu apenas precisas de respirar em liberdade, não precisas que te retirem espaços, precisas de todo o espaço e mais algum.

É uma história pintada de branco? Não, tem tantas cores e figuras, tantas emoções e sentimentos… mas esta história já teve à muito o seu fim, hoje o branco é a doce harmonia que o meu espírito desenha em ti.

Isso significa que não tens sequer uma palavra visível para mim? Foram todas visíveis em tempos, hoje são apenas visíveis na minha mente.

Mas então, para que sirvo neste momento? Servirás os comandos das boas recordações, e serás lido em suspiros de nostalgia, és mais uma época de tantas vidas, algo que todos irão querer relembrar por boas razões.

Vou-te fechar, não te aflijas, respira as boas palavras pelas tuas coloridas páginas em branco.
M.M.

Monday, November 19, 2007

Portas do Medo

Vejo e revejo ecos de angústias habituais, oiço choros indetermináveis…

A fechadura desliza de uma forma tão natural, esta porta destranca-se tantas vezes, emite tantos ruídos infernais, corrompem-nos os sentidos mais sensíveis, atacam-nos de forma tão cruel, deitam-nos num chão imenso, sem cor, sem brilho… é um dilúvio de tudo, um vazio de nada; um mundo rodeia-nos mas, sentimo-nos tão sós nestes instantes, é como se tivéssemos sido consumidos por algo que tantos conhecem mas que não conseguem explicar, desenhar, acima de tudo fugir. Pergunta-lhe porque sofre, nunca terás resposta a tal pergunta, apenas sentirás os tremores de uma alma ferida por um intenso odor a desespero, sente-se o gosto de tantos medos, deslumbram-se dias que se transformam em anos, a porta não se fecha, é tudo tão escuro, temos medo deste convite temporal…

Fechou-se, mas alguém do outro lado tende a exaltar-se e a combater aqueles trincos com todas as suas forças.

As luzes acenderam-se, está tudo pintado de branco… Sempre sonhei viver neste iglu com portadas viradas para o céu!

M.M.

Saturday, November 17, 2007

"Kepéla"

Estamos nas margens opostas deste rio...

Para o atravessares, basta encontrares um motivo e ficaremos na mesma margem.

Entra nas águas revoltosas apenas se tiveres saudades, se não as sentes, deixa-o sozinho, sentado lado a lado com o silêncio.
M.M.
(No dialeto africano da tribo Khu, kepéla é quando duas pessoas se encontram em margens opostas do mesmo rio.)

Friday, November 16, 2007

Discípulos da Preguiça

Estava tanto vento e nos céus voava ela, rumando contra as ventanias consistentes. De cabelos erguidos seguia-lhe as asas, eram fortes e tão ligeiras, passeava-as sem objectividade no seu rumo ao longo dos minutos de batimentos reforçados, até que se cansou e pousou bem ao meu lado…

Sorriu-me, tinha uma vaga memória daquela imagem, daqueles olhos… de onde me lembraria? Tantos anos de retrocesso da mente num espaço tão curto de tempo, eis que me lembraram da sua figura amigável. Nos livros infantis trouxe-me ao mundo, ainda me recordo desta imagem tão boa, tão feliz; num lugar tão colorido, que sempre me fez pensar e acreditar que não existiam problemas no nosso mundo.

Mas como teria saltado dos livros dos bonequinhos simpáticos e bonitos? Será que lhe custou muito?

- Depois de tantos anos volto a encontrar-te. Hoje faltaste ao serviço das histórias de criança? Vejo-te em contornos destacados de descanso, vieste relembrar o berço da preguiça onde me deixaste? – Retorquiu o jovem rapaz.

- Chamaram-me tanto que voei desde as histórias dos livros de contos até à realidade, foram anos de viagem sem descanso, a fantasia fica tão longe, nem imaginas o quão longe… Não larguei nenhuma das minhas histórias, sou apenas uma réplica de tantas elas, de tantas diferentes versões. – Disse a Cegonha.

- Então conta-me réplica, diz-me o teu nome, conta-me baixinho ao meu ouvido, porque te enganaste comigo? Perdeste-me no espaço, antecipaste-me no tempo. Onde está a minha versão feminina? Onde está aquela que deveria ser a minha gémea? Que contas tão estranhas foram essas? – Questionou o rapaz.

- Sou a cegonha Preguiça, olha para mim, deixa-me sussurrar-te ao ouvido. Ela está no seu lugar correcto, nesta vida não tive paciência para um grande enquadramento, agradece-me nem sempre a irmandade é tão bonita como uma amizade fortíssima, concordas? – Perguntou a senhora da preguiça.

-Mas… - Soletrou com ímpeto o seu discípulo.

A senhora cegonha interrompeu-me!

- Não digas nada, eu sei que concordas comigo. No passado talvez tenha-vos entregue a irmandade, hoje entreguei-vos a amizade em parceria com o amigo destino, têm todas as possibilidades, escrevam a história tal como quiserem.

- Ainda tenho outra longa viagem para fazer. Adeus meu filho. – Concluiu a Cegonha.

- Adeus senhora cegonha. – Disse o jovem rapaz, acenando para os céus.

E a cegonha seguiu viagem rumo ao passado, voou e voou, para um país bem distante, o vento saiu mas chamou o frio para o substituir, lá de cima viu uma menina sentada num jardim, soou-lhe a alguém familiar, e de bico bem levantado decidiu voltar a terra antes de voltar à eterna fantasia… Aterrou, assustando a menina, que ficou apavorada e correu para trás de uma árvore… lá de trás, só se deslumbravam os seus olhos brilhantes, que espreitavam discretamente, aguardando a ida da grande cegonha, mas esta ficou estática, não tinha intenções de sair dali tão cedo, então a menina saiu de trás da árvore em passos de medo, estava bastante encolhida.

Depois deixou que as suas palavras saíssem com dificuldade…

- Quem és tu? Que susto… - Disse a menina bastante assustada.

- Sou a história da tua infância, não te lembras? – Perguntou a cegonha.

- Não, tu só me fazes lembrar sustos, tenho medo de ti, desculpa ave grande. – Disse a menina de forma sincera.

- “Mamã, mamã, como vim eu ao mundo? Foi a cegonha que te trouxe filha”, lembras-te destas palavras? Não faças beicinho menina, não te vim fazer ma, vim contar-te um segredo… - Disse a cegonha.

- Ah! Sim, a mamã sempre me disse que foste tu que um dia me trouxe cá para casa, és tão grande, tão branquinha, posso voar em cima de ti? Vamos ver o castelo flutuante, sim? – Questionou a menina, agora sem receios…

- Não! Hoje ficas aqui quietinha no jardim… Um dia vais viver num castelo bonito, vais-te perguntar como entraste lá dentro e como te deixaram ficar por lá, vais questionar tudo e mais alguma coisa, vais questionar-me a mim também, porque poderás jurar que na torre vive um menino muito semelhante a ti e não saberás explicar porque foste lá parar, mas vais sentir-te bem. – Disse a cegonha.

- Que história bonita é essa? Conta-me… - Pediu a menina.

- Hoje não. Um dia vão-te a contar. Lembra-te no futuro dos traços que o destino te colocou, lembra-te da cegonha preguiçosa que te trouxe ao mundo. Tenho uma viagem longa, adeus minha filha! – Disse a senhora cegonha.

- Adeus Ave grande, faz uma boa viagem. – Disse a menina, acenando para o céu.

Rumou aos céus, seguiu pelos trilhos das nuvens e desapareceu nos céus, na sua viagem até ao mundo da fantasia, deixando para trás os seus discípulos... em espaços temporais completamente distintos.

Quem seria ela? Que me queria a mim? Que história tão estranha me veio contar? Será que vou viver num castelo de verdade? A mamã sempre me disse que a cegonha que me trouxe era bonita e muito amiga, os amigos são verdadeiros e sinceros, eu acredito nela… E será que viverei naquele castelo que flutua sobre as nuvens? Hum queria tanto… Gosto tanto de olhar para ele, gostava tanto de voar como a senhora cegonha para tocar no cimo do castelo. Como será? Terá reis e princesas, como nas histórias bonitas que me contam? Tantas perguntas, de certeza que vai demorar tantos anos para brincar ao castelos. Não vás senhora cegonha, vem brincar aos castelos comigo, ou trás o menino da torre para brincar comigo…

A cegonha já há muito tinha desaparecido do raio de visão, no entanto fixou os seus olhos no céu e leu nas entrelinhas imaginárias: “Um dia…”.

M.M.

Wednesday, November 14, 2007

Amizade, por Aristóteles!

"O que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos" [Aristóteles] Para que não te esqueças: Tantas vezes somos um só...

Tuesday, November 13, 2007

Grito de um Anjo

Poderiam atribuir um voo mágico e entregar-lhe meios para a ocorrência velocista de todos estes acontecimentos. O mundo aclama por ti, num desejo inevitável de um vaivém de sensações imaginárias.

Onde andarás agora? Para onde te diriges? Ninguém vê os seus rastos, ninguém o sente dentro de si, escutam-se apenas milhares de ecos fantasiosos perante os inúmeros calculismos dos seus raciocínios; Nada se ouve nas ruas das circunstâncias casuais, escuta-o no mundo dos silêncios, onde choram tantas almas nos seus abraços, são lágrimas que apaga e guarda-as para si, na sua enorme caixa de recordações sem que ninguém tenha entendimento sobre essa causa.

Solta o teu grito, faz-te ouvir…

Numa tarde de Outono, entregou as suas palavras a toda a humanidade, linhas que a muitos causaram uma enorme estranheza, outros reconfortaram-se tanto e festejaram cada letra, como se, de suas últimas letras se tratassem, soltavam rumores de um apagar furtivo, de uma ausência premeditada a desaparecer dos ares…

“Fecha os olhos e sê imune a todos os sons que o mundo te entrega, vou ensinar-te a sentir-me bem perto de ti, silêncio de todas as almas… escuta a brisa do vento, sou a melodia que tanto desejas ouvir, sou o cruzamento dos vossos cabelos; virei chuva branda, sou a bênção que sempre pediste aos céus, o baptismo de uma nova vida; ouves o rugir dos trovões, sou eu que luto contra tudo e contra todos para que não me tirem do teu lado, sou a força que a todos nos falta; sente o calor deste sol que te aconchega, sou eu que aqueço carinhosamente a tua alma, sou o toque na tua pele, o registo dos arrepios vindos do nada; e se algum dia nevar, espero que recebas as minhas preces, que o branco tudo invada e se torne num manto de resistências, resista ao vento, à chuva, às trovoadas e ao sol… Nesse dia vais sorrir pela humanidade, e a tua mente irá jurar que um dia viste um anjo, que sempre te guiou, gritando e aclamando em sussurros bem junto ao teu ouvido.

Estás nos braços de um anjo, encontra conforto aqui.”

Hoje troveja tanto… Chuvisca trovões de agonias!

M.M.

Saturday, November 10, 2007

Nas Ondas de Tchaikovsky

Bailam as correntes marítimas sobre o areal encantado, percorrem-lhe a alma sobre o vento gelado que os acolhe. Guarda aquele momento eterno na sua mente, embora não o saiba descrever no concreto; há algo que baila sobre as águas cansadas, está tão longe, de que se tratará? Visão desfocada? Imaginação? Holograma? Vai caminhando pé ante pé formulando pegadas sobre a água de uma forma bastante desconfiada, saltitando com as bênçãos da terra… Já a viu, a imagem foi descodificada… é uma bela estrela-do-mar, pintada pelo pôr-do-sol ganhou vida, transborda encantos, deslumbre da sua visão. Agora, conta-lhe a história da estrela que lá dos céus ansiava tocar no azul precioso…


(Allegro con spirito)

Lançou-se à terra sem medo da viagem cadente que a poderia suprimir para sempre, com muita vontade ninguém parou a sua marcha de fé, desgastou-se de forma notória perdendo o seu brilho conceituado, mas cumpriu o seu desejo, tornou-se uma deusa dos céus e entregou-se entusiasticamente ao mar… Mergulhava e voltava à tona, desaparecia e voltava a aparecer de forma constante; os grãos da areia movimentavam-se nas bermas do espumante produzido pela queda de uma e outra onda deste mar privilegiado, observando atentamente tudo cá de fora, estavam pintados em todos os cantos deste quadro, realçando a sua abundância naturalista na recepção à pequena estrela.

Era algo de mágico, transmitiu-lhe uma paz divina, encheu-o de contentamento, maravilhou a sua alma carregando-a de grandes energias. Agora, pinta-lhe as sensações, conta-lhe do primeiro mergulho, do anoitecer…

(Prestissimo)

Tão pequena e tão meiga, saltitava as ondas que em coro lhe entoavam uma única voz de boas vindas. Estava visivelmente feliz, picotava a rítmica da harmonia. Correrias, corridas no tempo, balanceava-se sobre os minutos daquela tarde… passavam as horas do dia num suave abrir e fechar de olhos, de nada o contentamento descolava, banhava-se de emoções… A noite instalou-se ligeiramente, rumavam os minutos para a escuridão total, a estrela deixara a felicidade fugir-lhe de entre os seus braços, esta voou rumo aos céus e salpicou o céu com uma primeira estrela que brilhou, amedrontara-se com a percepção das saudades que já sentia do encantado negro universal; Pobre estrela que de tão contente estavas nos minutos que antecederam o luar, e agora estás assim tão deprimida, tão isolada daquela alegria que o comoveu. Saiu da água e sentou-se envolta dos grãos da areia que desde logo a abraçaram.

Apertou-lhe o coração. Agora, conta-lhe a história da estrela-do-mar que sonhava em ser uma estrela brilhante…

(Allegro con fuoco)

Pediu tanto, tanto, que conquistou asas e voltou a voar ultrapassando as barreiras sinuosas da atmosfera, recolocou-se nos céus esperando que uma nova foto de família fosse visualizada pelas objectivas terrestres. E nunca mais ela quis tocar no azul preciso, limitando-se a observá-lo lá de cima. Brilha lá no alto como nunca antes tinha brilhado, no dia seguinte enquanto caminhava sobre as areias, uma voz ergueu-se baixinho, contou-lhe em segredo que grãos de areia se passeiam pela Deusa do Universo.

M.M.

(Pano de Fundo: Tchaikovsky: Concert for Piano and Orchestra Nº1 Op.23 in B flat minor- Andantino Semplice.)

Wednesday, November 07, 2007

Grafiters da Memória

Anda, caminha ao seu lado, se tremes… o seu corpo torna-se fraco e desvanece-se caindo imóvel sobre esse chão onde os vossos passos se divulgam, se choras, inundas-lhe a alma escondida, ficam os dois submersos, mas se te afogas nessa imensidão, salvar-te-á erguendo-te até à superfície desconhecida; se te ris, contagias-lhe o espírito, deixas que o seu sorriso se liberte em comunhão…se estás feliz, rodopia por entre os cantos desta sala imaginada, artista moribundo desta arte sem fim, transparece a sua euforia… vá anda, caminha ao seu lado. Nem te tentes perder, esquecer, voltar passos atrás… é impossível, são tantas as paredes pintadas com gestos, acções e palavras retratadas, lembrar-te-ias e voltarias a correr em passos pequenos, encontrá-lo-ias sentado junto à mesma parede onde o havias largado, estava expectante, visivelmente agastado à espera que chegasses para pintar mais uma das infinitas paredes deste labirinto por onde vagueiam, não deixaria que ficasses para trás perdida nas tuas memórias actuais que o seu passado haveria transformado, não permitiria que descobrisses sozinha o significado destes rabiscos transformados em contos; Anda, caminha a seu lado, gosta muito mais de colori-las sabendo que observas atentamente cada traço sentada no teu canto, aprendes a colorir este mundo com cores mais felizes, outras mais tristes… Mas sobressai a harmonia deslumbrante! Gosta que partilhes o seu silêncio e que sorrias após mais uma e outra… Acabou mais uma parede, sorri é um memorial às pequenas crianças que um dia se encontraram para caminhar lado a lado, vá dá-lhe a mão, têm tanto que pintar, aprender, caminhar… Haverão de pintar todas essas paredes brancas durante vidas e mais vidas… Abre o livro, página 31, eis os “Grafiters da memória”.

M.M.

Sunday, November 04, 2007

Passeio da Apatia!

Conta-lhes espírito encantado, a Era dos sons que nos deixam anestesiados de todas estas visões, dos segundos que nos vão ultrapassando neste passeio pelo obscuro e tristonho bosque da apatia. Era onde o cansaço lhe conquista a alma, onde deixa de proteger toda a vista preciosa que as torres do seu domínio lhe proporcionam; desceu a escada imperial, e saiu num aparato revolucionário, largando tudo o que de mágico o seu Eu continha. Saiu, deixando abertas todas as suas portas, os guardiões estavam espalhados pelo chão, adormecidos pela sonolência que em suspiros a todos envenenou, olhava-os com tristeza sobre o céu cinzento que os cobria.
Chuvisca…
Não raciocinava de forma natural e equilibrada enquanto avançava nos acordes tristes dessa era amargurada, rumando nas linhas do vagabundo miserável onde se expunha e, distanciava-se cada vez mais, mais e mais…parou as quadras do tempo, deixou de se mover, olhou para trás lentamente, ergueu os seus olhos em aflição e tudo o que era seu desapareceu, nada mais existia, tudo a apatia tinha consumido sem dar tréguas, os seus joelhos caíram hirtos sobre a terra molhada, cheirava-lhe a desespero, tinha aromas de amargura e sofrimento da humanidade que o consumiam e o arrastavam para bem longe, num pesadelo artístico que o próprio compunha.
A sua alma chuviscava…
Abriu os seus olhos, pesadelos dos seus passados, o chuvisco da apatia abandonou os céus, o sol raiou bem-parecido, era de madrugada e todos se reuniram no átrio das romarias, todos sem excepção tinham resistido ao envenenamento dos chuviscos, não tentaram sequer fugir, uniram-se e derrotaram os meus pesadelos de ontem à noite…
Chuviscou.


M.M.

Thursday, November 01, 2007

3x: A expressão em forma Matemática!

100x, 200x, 300x, 400x, 500x... até aos +00x poderia chegar, mas não, digo com firmeza 3x; não é uma questão de expressividade numérica, é sim, uma questão simbólica, haverá algo mais perfeito na linguagem da matemática do que um simples e gigantesco 3x? "Eu cá penso que não" disse de forma convicta, o sério orador das palavras codificadas. "Trocavas-me?" Não, não a trocaria por nada, nem por nenhuma outra expressão numérica, daí não dar-se conta de qualquer tipo de confusão de algarismos... Na contagem numérica, o três acenta-te tão bem e vale por todos os números possíveis e imaginários; e tão rápido formulou-se esta questão funcional, e em tão pouco tempo foi resolvida, dar-nos-ia uma tese cientifica acerca desta lei que tantos procuram, e que à priori, tão poucos a provam de uma forma tão inconsciente e pura. Não se aflijam, é uma questão de números, contem os tempos, marquem vigorosamente os vossos intervalos nesse compasso infindável e obterão resultados. Hoje sinto-me como Arquimedes se sentiu quando determinou o número exacto de Pi, mas ao contrário do grande mestre, não precisei de centenas de folhas de cálculo para realçar que um 3x é a chave de todos os encontros... de todos os momentos passados guardados na história, de todas as vidas futuras; é a memória que guardamos dentro do nosso pulsar...

Um, Dois, Três...

Vem caminhando, 3x é o patamar natural onde te coloco, esteja lá onde eu estiver... (Aqui, ali ou algo mais além) não te afastes de lá!

M.M.

"Se vos contasse, teria que vos matar. Antes disso, matar-me-iam vocês"

Monday, October 29, 2007

Silêncio: Um breve Aparte

Ao silêncio que nos acolhe:
Sempre me apeteceu fugir deste lugar, mas hoje apetece-me ficar.
"Há ocasiões em que o silêncio de uma pessoa torna-se mais sábio do que qualquer palavra que poderia ser pronunciada."
Ficar e tornar-me importante nas vossas vidas, deixar-me estar e dar-vos a mão, permanecer e contar-vos a minha presença, criar raízes e consagrar-me nos vossos corações.
Rabi Levi Yitschac de Berditchev disse: "Duas coisas aprendi de meu mestre durante a última visita que lhe fiz: Quanto menos a pessoa fala, mais perto está da santidade; e o único ato bom que é valioso é aquele sobre quem ninguém sabe."
Fico pela vontade dos 3x... Em breve vou contar-te a maravilhosa história dos 3x.
"Falar é prata, mas o silêncio vale ouro."

Porque nem sempre as palavras são ouvidas, nem sempre as mesmas têm que ser reveladas ao mundo. Os sábios saber-me-ão escutar...

Firewall's da Vida!

Houve um grito desde as profundezas perdidas:

“Quem está aí?”

“Sou alguém que nunca viste, alguém que sempre viveu por cá mas que as tuas protecções nunca me deixaram soltar a voz, sou anos de sorrisos magníficos, sou o que procuras quando caminhas sem rumo nessas estradas que tu constróis na tua inconsciência, vem dar-me a mão com convicção, rompe essas malditas protecções, essa teia que tantos quiseram ver erguida, não deixes que as trevas cantem vitória, vem e embala-me como uma criança…”.

E o grito desapareceu por entre tantos ecos que permanecem em quarentena nas masmorras dessa triste firewall.

Um voluntário da vida deixará a sua firewall ser invadida pela triste ira das trevas? A resposta é clara e decidida, que seja retida a ira das trevas porque eu quero ter segurança nos meus passos.

Desejo incontestável de formular as minhas pegadas sobre as vidraças cristalinas que abençoam todos estes mares… Dar-me-ás permissão? Abre essas comportas invisíveis, deixa que os nossos belos e verdadeiros sonhos de criança sejam concretizados, deixa que os sorrisos nos invadam, deixa-nos viver, solta-nos das tuas amarras endiabradas onde nos deixas enclausurados. Quero ser embalado até amanhã, sentir a liberdade do vento gelado a embater-me na face sem pedir uma prévia autorização, vai ser amanhã… vais expirar, vais dar-me tréguas, deixar-me respirar bem fundo. Depois voltarás…

M.M.

Friday, October 26, 2007

"Hoje morro, amanhã ressuscito"


Filho das sombras da noite que se arrasta através da brisa suave da madrugada. Será anjo ou demónio? Será anjo, para os outros não sei; e de que lhe importa os outros se ali está sozinho? Esconde-se pelo silêncio triste que enche por completo a noite, contagiado pela dor que o frio lhe entrega, resignando-se: “Hoje morro, amanhã ressuscito”.
Morre pela gelada madrugada que lhe petrifica o coração, deixando de sentir o seu pulsar, desvanece-se e entrega os seus sentidos a uma terra fria e crua que sem remorsos não os recusará; nem as asas discretas lhe servem de salvação, foram-lhe cortadas para a peregrinação na Terra… descansa sobre o luar. Ressuscita pela manhã, onde o sol já bem no alto entrega-lhe algum do muito brilho que lhe falta, abre os seus olhos e espreguiça-se num turbilhão de emoções, mete-se na estrada e desaparece sem rumo.
E se não ressuscitar? A resposta será clara e directa: “Desapareceu, tornou-se invisível, apagou-se da história da noite, obtendo o seu fim.
M.M

Tuesday, October 23, 2007

Någonsin hit. Ty fadder av min hjärta.

Sente um dilúvio de sensações, perde-se nos mistérios, nas complicações que a vida trata de lhes presentear sem pedir licença, nada pediu e foi-lhe entregue tanta dor. Colocam-no num labirinto perdido, um infinito de paredes iguais, todas da mesma cor onde vagueia sem parar, sem descobrir uma saída que o liberte da angústia de estar perdido nessa encruzilhada mental. Vê uma porta entreaberta, o espaço é pequeno e entra transformando aquele lugar no seu refúgio silencioso; agarrando no seu bloco de mistérios, pegando na sua caneta, vai escrevendo capítulos dos seus dias e deixando-os diante de todas aquelas cruéis paredes brancas. Ninguém chegara para ler os testemunhos, ninguém entrara naquele jogo de saturação, passavam os dias e acumulavam-se as palavras, até que desistiu… juntando-se ao silêncio através das suas palavras.

“Questionar o silêncio profundo, sobre o vazio do meu olhar não há-de ser uma fórmula de grande sucesso para me libertar da prisão dos meus sentidos. É sim, um sufoco desesperado, um processo de execução sem estratégias seguras, mas que me condenam e identificam a porta ao qual não devem bater.

Será que chega alguém? Soltem os vossos passos rápidos, que eu estou à espera!”

Adormecendo…

Horas e horas e mais horas, escutam-se passos revoltados no seio de um eco incomodativo, os seus olhos abrem-se lentamente, e escuta a quebra do silêncio magistral. Parou bem perto da porta, ouvia-se o barulho do papel numa troca intensa de páginas. Bateram à porta de forma terna, esta abriu-se lentamente, acompanhada de um fino ruído que só se dissipou quando se expôs na sua totalidade. Os seus olhos transmitiram-lhe confiança, segurança e levantou-se sonolento e exausto, rompendo o silêncio disse: “Os teus olhos dizem-me aquilo que és, o que vês em mim, aquilo que buscas incessantemente sem saberes o seu propósito, a ajuda que necessitas para arrancar as tuas fraquezas e tudo aquilo que aos teus próprios olhos já não faz sentido, afinal de contas estás aqui não só para salvar-me, estás aqui para ser salva, para que olhes e vejas o que de precioso o teu reflexo te transmite”. Os dois caminharam numa rumaria sem destino e foram-se conhecendo pelo casual silêncio dos tempos, desenvolvendo as claves mais harmoniosas da amizade.

Chora, fala, grita nos meus braços… não tenhas medo, é a chave para sairmos desta encruzilhada onde a vida nos colocou.

Någonsin hit. Ty fadder av min hjärta.

Saturday, October 20, 2007

Comunicado da Lua

A lua eclipsou-se nas profundas águas do atlântico, despedindo-se em tons de um laranja seco e apagado, estávamos cansados. Sentimos que o mundo precisa de algo soturno esta noite, baixei a grua e tudo se apagou... hoje vamos deixar o planeta a murmurar pensamentos e sensações de saudade, vamos descer aos confins da escuridão e esperar que perguntem com um tom de voz bem alto"porque não me acompanha hoje o sorriso da lua?"... hoje vamos sentir a nossa importância no seio da humanidade, realçar a identidade do nosso brilho, questionar todas as mentes que têm o poder de olhar e conhecer-nos lá bem no alto, o que seriam sem a nossa presença? Vamos fechar os olhos e sentir-nos mais sozinhos, só por umas horas... mas horas importantes. Quando a luz se apaga muitas mentes se perdem na escuridão, mas esse não será o nosso objectivo... queremos sim, revelar o nosso valor, esclarecer a nossa importância para que não se percam nas vossas vidas!
Mesmo nos confins, lá bem escondida no tumulto... A luz continua acesa! Fez-se silêncio nesta noite.
M.M. (Cavaliere della Luna)

Wednesday, October 17, 2007

Metade de mim adora-me, metade de mim odeia-me...

Anoiteceu, a lua brilhava com supremacia no seu altar longínquo e cá em baixo alguém devorava-a com os seus olhos, orando as suas preces. Eram poucas as palavras, eram poucos os movimentos, os seus olhos brilhavam como um sol madrugador e ia derramando lágrimas que saiam continuamente entoando pedidos de salvação. A salvação saltou dos céus, voando embalada pelos ventos que sopravam levemente e calmamente surgiu ao lado de alguém, sentando-se na areia molhada de costas voltadas para a sua luz. E questionou…

“Porque te escorrem essas lágrimas de angústia? Porque aclamou pela minha vinda?”. Alguém, olhou à sua volta e sentiu que não se encontrava sozinho, tinha sido ouvido e mesmo que os seus olhos nada vissem, respondeu: “Seremos sempre grandes almas, seremos sempre um desejo profundo, serei sempre alguém que ninguém busca, sentiremos sempre um enorme vazio por preencher, somos imagens pintadas por seres humanos em contos de fadas, somos reflexos de memórias perdidas que pairam no ar como folhas de Outono em dias de temporal, perdidas…Sente o pulsar da minha vida, consegues sentir a pureza dos meus actos? Consegues absorver a mágoa que corre emaranhada no meu sangue? Descobre-me a paz que me levou a mente numa viagem longínqua até lá cima, leva-me contigo sobre as ondas deste mar agitado que nos envolve”. A salvação entoou coros e saltitou pelos céus, “segue-me, vou-te mostrar que o mundo lá de cima é bem mais bonito, e podes respirar o teu silêncio em comunhão com a paz”. O vento os transportou, numa viagem rápida onde os cabelos frenéticos se soltaram, rodopiaram dançando na atmosfera… “Chegámos, diz-me o que sentes” disse a salvação… “Consigo respirar sem soluçar, consigo olhar para baixo sem sentir uma vertiginosa corrente que me prende, consigo andar sem temer o próximo passo. É a luz que me preenche! Quero ficar e dizer adeus a todos cá de cima, quero guarda-los a todos no meu interior, sente de novo a pulsação… que ouves salvação? “ Questionou alguém. “Nome dos sorrisos que guardas no teu coração, memórias das almas que abençoas todas as horas. As almas que me fazem brilhar e apagar durante as noites precisam de ti.” Respondeu a salvação.

Deixaram-se flutuar sobre o chão luminoso, pedindo licença alguém disse, “Deixa-me contar-te um segredo: Metade de mim adora-me, metade de mim odeia-me…” E a luz apagou-se…

Para quem me acompanha... M.M.

Friday, October 05, 2007

Escolher para Desfrutar

A angústia invade quer o inquieto, exclusivamente deslumbrado por aquilo que arde com uma luz vaga, quer o poeta cheio de amor pelos poemas que nunca escreveu o seu, quer a mulher apaixonada pelo amor, mas incapaz de devir por não saber escolher. Eles bem sabem que eu os curaria da angústia se lhes permitisse esse dom que exige sacrifícios e escolha e esquecimento do universo. Porque determinada flor é, em primeiro lugar, uma renúncia a todas as outras flores. E, no entanto, só com esta condição é bela. É o que acontece com o objecto da troca. E o insensato, que vem censurar a esta velha o seu bordado, sob o pretexto de que ela poderia ter tecido outra coisa, demonstra com isso que prefere o nada à criação.
Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

Tuesday, September 04, 2007

Barreira

Barreiras que se somem da vista dos olhares da humanidade, pedras que se desvanecem pela erosão dos tempos, dos ritmos que se agrupam pelas eras temporais. Mas a morte das mesmas, por norma, não fará parte dos seus dias, degradam-se sim, dar-nos-ão múltiplos trabalhos também, mas sempre haverá uma reconstrução de uma união que nos ampara os alicerces da eterna memória. Relembra-te das pedras que se soltaram pelos actos inconvenientes que a vida lhes proporcionou, sempre as guardamos com carinho e amizade, e com esforço voltamos a colocá-las no revestimento.

A barreira é demasiado alta, tanto que poucas são as vezes que a trepamos, por consequência, raramente os nossos olhares se cruzam. Do cansaço, soltam-se ecos mediáticos, vibram as vozes em raras palavras.

“Eu estou aqui”, gritou ele, rompendo o silêncio. “Eu também” respondeu ela com a sua voz terna. O vento passou lentamente, deixou-lhes a mensagem que os seus olhares não captaram… “A cumplicidade é intocável, têm as vossas imagens guardadas nos vossos corações”.

E continuaram, construíndo a barreira memorável que os ligará através dos tempos...

Wednesday, August 01, 2007

Around the World... With my Friends!

Sometimes you need to look for your soul... It's strange the moments you stand in life, trying to look for it... You look so hard that you forget what actually you are looking for... Sometimes you need time... Time to think of who you are and why are you here. Time to realise it's not about that... It's about the little thongs that shows your presence... shows what you're made of. Sometimes you need to let go and just feel the moment... Stop trying... Stop thinking... Stop pretending... Just be you.

Maria J. P. From Austrália


Mi amor la vida se esta asiendo mas grande… Cada vês que me alejo de aqui… Cada ves que me pongo a pensar en ti. Mi amor a l aluna es la noche oscura… Y sin reflejo a tus ojos que me ayudan a seguir. Mi amor mi vida, mi ilusion esta en la noche… Que no ves en la noches que extranas… Esse amanecer en que la vida es más larga. Mi todo es estar aqui como tu estar alla… Pero algun dia vere.


Mar From United States of America


I just said: Thank you...

Wednesday, July 25, 2007

O último Voo

"Será que o possível tem medida? Um dia, fizeste-me esta pergunta. Sempre soubeste qual era a minha resposta. A tua angústia era a voz sofrida de uma porção da humanidade ferida. Sabias como era difícil combater o jogo das máscaras e o teatro da mentira e da traição. Da traição... A memória que tanto acariciaste, entre lágrimas e sorrisos, ao longo da tua vida, continua, meu Amigo, a faltar muita gente, mas não, como bem sabes, aos que desde sempre partilharam o pulsar do teu sonhar! Tal como ontem, quiçá desde sempre, existem sombras de gente que continuam a violar o sagrado, sem nunca terem deixado qualquer impressão digital em algo ou em alguém... Mesmo ferido, um pássaro nunca deixa de ser um pássaro... Esvoaça, mesmo entre desilusões e perdas... É por isso que o possível não tem medida em quem tem lembranças para acariciar com saudade e sentimento. E é também por isso que aquilo que devia ser impossível acontece tantas vezes, como um punhal cravado no que devia ser intocável. Este livro é para ti! Ofereço-te, embrulhado com emoção e nostalgia, perfumado com "aroma de essências", oriundo das catacumbas onde se guardam os tesouros (de um tempo perdido...)."
Djalma Marques

Wednesday, July 11, 2007

Bertolt Brecht


Histórias do Sr. Keuner, de Bertolt Brecht – Um dos dramaturgos mais influentes do século XX, o alemão Bertolt Brecht (1898-1956) também é o criador de um misterioso personagem que figura em vários contos escritos ao longo de trinta anos: o senhor Keuner. Em textos curtos (são raros os que ultrapassam uma página), esse sábio pouco convencional destila uma filosofia irónica. Keuner às vezes é referido apenas pela inicial K., como o protagonista de O Castelo, de Kafka – e há mesmo qualquer coisa de kafkiano no personagem. A presente edição traz quinze contos até há pouco inéditos, descobertos em 2002, na Suíça, entre papéis de Brecht.

O Servirdor de Afins

Alguém perguntou ao sr. K. se existe um Deus. O sr. K. respondeu: "Aconselho refletir se o seu comportamento mudaria conforme a resposta a essa pergunta. Se não mudaria, podemos deixar a pergunta de lado. Se mudaria, posso lhe ser útil a ponto de dizer que você já decidiu: você precisa de um Deus".
Histórias do Senhor Keuner, Bertolt Brecht

Friday, June 08, 2007

Caminhos de vida!

Ia caminhando suavemente, passo após passo, arrastando com os seus pés descalços as pedras cinzentas envolvidas de terra castanha. Soltava-se uma poeira no ar bem quente, pelo sol tórrido que lá no alto se apresentava grandioso. E prosseguia pensando... estava num dilema, queria olhar para trás, ver as marcas que os seus pés tinham construído ao caminhar, pois eram pegadas bem delineadas que lhe faziam sonhar pela sua perfeição. Por outro lado, tentava não olhar; doía-lhe a alma amargurada, a perfeição invocara o seu sacrifício e os seus pés gritavam a dor de um coração partido invocando salvação. A estrada repleta de dificuldades estará lá sempre, as pedras aguardarão sempre que uma e mais outra alma em angústia a pisem sobre um sol que os queima, que os cansa. Basta deixarmos que as pegadas sejam apagadas pelo vento, que lá ao fundo aguarda que não olhemos para trás. Fim da viagem, a tentação saiu derrotada e o vento soprou, renasceu mais uma alma. Olhou para trás, as pegadas desapareceram, ficando apenas na sua memória.
07/2007 M.M.

Monday, June 04, 2007

Around the World: Famous words

Ka mate! Ka mate! Ka ora! Ka ora! Ka mate! Ka mate! Ka ora! Ka ora! Tenei te tangata puhuru huru Nana nei i tiki mai Whakawhiti te ra A upa ... ne! ka upa ... ne! A upane kaupane whiti te ra! Hi !!!

The Words of Ka Mate, Maori

"Silence is argument carried on by other means. "
Che Guevara
"Det hände på en teater att eld utbröt i kulisserna. Sällskapets pajas skickades fram för att underrätta publiken. Alla trodde det var ett skämt och applåderade. Han sade det om och om igen, och publiken jublade ännu mera.

Så tror jag världen kommer att gå under; till applåderna av kvickhuvuden som tror att det hela är ett lustigt upptåg..."

Kierkegaard

"Silence is one of the great arts of conversation."
Marcus T.Cicero, c. 106-43 BC, Great Roman Orator, Politician
"O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto. Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um."
Almeida Negreiros, in "Ensaios"
"Nil ego contulerim iucundo sanus amico."
Horace, Satires I.v 44
Fra i rumori della folla ce ne stiamo noi due/ felici di essere insieme, parlando/ poco, forse nemmeno una parola.
Walt Whitman
"On peaut répandre la lumière de deux façons: être la bougie, ou le miroir qui la reflète."
Edith Warthon
"Daseine Rose ist, erhöhte sich um jeden möglichen anderen Namen zu"
William Shakespeare
"Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De facto, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuso encontro de dois espíritos. Para quê, então?"
Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'
Ringa pakia Uma tiraha Turi whatia Hope whai ake Waewae takahia kia kino

Friday, April 20, 2007

Não te Amo

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Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! Não te amo, não.
>

Não te amo, quero-te: o amor é a vida.
E a vida nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! Não te amo, não; e só te quero
De em querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te não te amo, que é forçado
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tanto espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett, Folhas caídas
15/06/2006

É interessante sentir a casualidade das coisas, sempre gostei deste poema mas sempre me esqueço dele, fica sempre guardado para um reavivar de memórias. Hoje, enquanto fazia uma separação de papel para o processo de reciclagem, encontrei-o num exame de português já algo antigo. Pois bem, fica aqui também aqui algumas pequenas marcas de mais um grande escritor Português: Almeida Garrett.

Sunday, April 08, 2007

Sonho das luzes...

Ontem à noite sonhei…
Estava tudo pintado a preto e branco, uma mistura de sensações reais. No final apenas uma conclusão... Imaginemos um candeeiro que só dará luz através de energia eléctrica, agora supomos que a tomada deixa a funcionalidade para trás e torna-se completamente inutilizável… O Candeeiro naquela tomada eléctrica jamais dará luz a não ser que a arranjem, mas enquanto não é resolvida a avaria o candeeiro ou fica arrumado num canto respirando a sua solidão, ou simplesmente, muda-se para uma outra tomada e dá luz à sua vida noutro canto da casa, quiçá do mundo. Para vermos que a paixão é como a energia eléctrica, tudo tem que estar num enquadramento perfeito. A voltagem da lâmpada com a potência do candeeiro e por consequente a potência do mesmo com o suporte da tomada. No caso de estar errado o enquadramento, apaga-se a luz.
Acordei, mas estava completamente às escuras, deu choque mas não doeu… O triste meus amigos é quando se dá o curto-circuito por razões que não tem outro nome se não de disparate…

Tuesday, March 27, 2007

"About Me"

Recriando algo de diferente, uma imagem e dezenas de topicos podem sem dúvida dar-nos uma imagem secundária...

"Já sentei-me e ouvi o vento, dei-lhe as mãos e falei-lhe acerca de mim / Já saí à rua no meio de um temporal, chovia e chovia, abri os braços e abraçei a água abençoada dos céus / Recriei o meu lugar encantado, onde vejo o sol a pôr-se no mar / Já vi a tristeza e chorei a seu lado / Adoro sorrir quando me sorriem / Venero a Noite, é secreta, misteriosa, é uma história sem um final concreto / Canto mas não encanto... / Sou capaz de ouvir o mesmo cd durante meses /Já vivi numa noite de trinta minutos... / Adoro dormir /Diz-se que dorme como um anjo caído dos céus, suspira sorrisos pelas horas vagas / Já sonhei em ser completamente feliz, dava pulos enérgicos de alegria / Mas depois acordei... / O mundo desabamou aos meus pés quando em pequeno sonhei que tinha a maior colecção de berlindes do mundo, eram de todos os tamanhos e cores, acordei e chorei rios e rios de lágrimas / Já bateram à porta do meu coração, entraram e desarrumaram a casa por completo, fiquei sozinho na angústia, no sofrimento... fiquei sozinho / Já fiz a travessia entre o Amor e o ódio, obrigaram-me... / Já vivi numa casa com pessoas de várias nacionalidades... / Já estive num dos maiores parques naturais do Mundo / Não me contento com um livro, leio vários ao mesmo tempo... / Já tive um dia inteiro sem parar visualizando filme atrás de filme / Já sonhei que estava em Copenhaga, Londres, Dublin, Berlin, Moscovo, Roma... Acordei e não chorei, simplesmente ambicionei / Já fui rebelde, já fui apático... / Já soube jogar futebol, hoje jogo ténis / Já conheci pessoas magnifícas e vou conhecer muitas mais.. / Adoro mistérios, misticismos e tudo o que nos possa pôr a pensar... O certo, o Errado, O conveniente... etc etc! / Adoro escrever e "divagar sobre as ondas deste mar encantado" / Gosto de dar a mão, ajudar... sensibilizar o mundo dos males que nos consomem / Gosto do mar, da areia, do sol de inverno / Já fui confundido... Numa carruagem de comboio rumo ao norte da Suécia / Já me confundiram... / Já li centenas de revistas, senão milhares / Absorvo cultura, cultivando-a progressivamente/ Tenho uma constelação nos meus braços / Revejo as estrelas todas as noites em que elas se mostram /Quase que não abria os olhos... / Adoro puzzles, dos reais e dos ficticios... / O meu cofre chama-se Crânio / Já ouvi um concerto acústico, um dos quais em directo e exclusivo só para mim / Não sou infeliz por não sentir o prazer do eléctrico 28, até porque já conheci o urso Svensson..."

Quem Imaginarias ali?

Wednesday, March 07, 2007

"Numa Noite de Memórias"


"Era uma vez…
Uma família que vivia numa pequena aldeia, isolada da tela que pinta um cenário trágico mundial. Numa tarde fria de Outono respirava-se harmonia coberta pelos ares naturais que se espalhavam na atmosfera campestre. Na aldeia, coberta pelos montes o súbito silêncio foi interrompido pelos gritos de sofrimento provenientes da casa dos Queirós, espalhando ecos de uma mistura entre dor e alegria pela mãe Natureza, folhas secas caíram em celebração; naquela tarde a senhora Queirós dava à luz uma história marcante, uma lição de vida que vos contarei de seguida. Ouviram-se e sentiram-se gritos, choro de criança inocente multiplicado por dois que divinalmente encantaram a vasta linha silenciosa, novas vidas surpreenderam as pessoas; o vento parou em profunda bênção humanista, as nuvens descarregaram gotas imensas num processo de baptismo natural e instalou-se um sorriso grandioso nos céus, no caminho efectivo que os conduzia até aos momentos nocturnos, sorrisos que tomaram pela madrugada dois nomes: Gabriel e Tiago. Ao longo dos primeiros anos, os primeiros passos foram acompanhados pela vulgar inocência infantil o que tornou muito menos silencioso o ambiente, as ruas, as casas, uma fantástica cor era pintada dia após dia no papel melancólico de todas aquelas vidas, sentiam-se os sorrisos unidos das crianças e vibravam com as brincadeiras dos pequenos da aldeia. Por todo o lado eram visíveis os traços da irmandade, eram muitas as vezes em que os irmãos formulavam pactos de união entre ambos. Divagavam palavras em conjunto, derramavam lágrimas em comunhão no seu altar que se encontrava no cimo dos montes; da aldeia, a imagem da união entre aqueles dois seres estaria sempre evidente, seria relembrada para sempre na consciência de todos. Com o passar dos anos, a inocência diminuía gradualmente sem precedentes, tornaram-se adolescentes deixando para trás uma infância serena, entraram num processo juvenil de maturidade essencial, tudo se modificou… os irmãos que se identificavam por uma igualdade normal, começaram a demonstrar os seus traços verdadeiros e que efectivamente os iria acompanhar e definir ao longo das suas vidas. Nas calçadas das ruas o entusiasmo derivado da inocência desapareceu, o silêncio retomou a sua marcha imperial e cavalgou dia após dia, segundo após segundo pelas ruas desaparecidas; os habitantes trocavam no café da aldeia opiniões sobre os irmãos e rotulavam-nos de uma forma critica ao ritmo dos seus processos de crescimento. As diferenças entre os gémeos tornaram-se de facto enormes, uma oposição psicológica; se o Tiago era um jovem com tendências rebeldes, inconformado com a excessiva melancolia da aldeia, corajoso e destemido, já o Gabriel tornou-se num jovem sereno, humilde, adepto da natureza e da plenitude da calma."

Argumento teatral "Numa Noite de Memórias"
Marco Martins

P.s: Peço a todos os leitores as minhas sinceras desculpas pelo tempo de paragem... Como compensação fica uma pequena amostra da primeira peça que escrevi... Um desafio: Imaginem duas vidas, criem a vossa história... em breve dar-vos-ei a conclusão...

Thursday, January 25, 2007

Universo, sobrenatural...

O mistério envolvente de um misticismo desconhecido na prática, uma beleza sobrenatural que nos acompanha, mil e uma, N... distantes de um toque humano, um olhar longínquo que as persegue, contornos enfeitiçados de rebeldia envolvidos na mais pura história de vida, voa... flutua pelos horizontes negros, sombras mágicas distintas de tudo, imagens eclipsadas... No Universo...
M.M.

Tuesday, January 02, 2007

Noite mágica!


Na noite mágica soltam-se ecos profundos de esperança, a lua brilha com todo o seu esplendor nos céus, criando o triângulo perfeito com os astros dos sonhos, leva-me a pensar na verdadeira essência de vida, o amor que nos pertence e a que nós pertencemos...
M.M.

"O nosso amor é de papel como as flores que me deste, e no papel há-de ficar, para sempre escrito nas minhas palavras. E se vier a transformar-se em qualquer outra coisa, será sempre numa outra forma de amor: o papel vem das árvores, mas o amor vem do amor e nunca morre, mesmo depois de cortado, prensado e transformado. Amar é como plantar uma semente e tu já plantaste a tua no meu coração. (...)

Ao espelho, onde vês o reflexo entre o homem que és e aquele que gostarias de ser, respiras fundo e desejas que essa mulher chegue um dia, não demasiado cedo para te assustar nem demasiado tarde, porque, entretanto, pode aparecer outra e tu vais deixar-te ir, convencido de que é essa, e não eu, a mulher da tua vida. O que tu não sabes, meu querubim cansado, é que do outro lado do espelho eu te vigio, como se fosse o teu presente, e te desejo, como se pudesse ser o teu futuro. Mas é ainda demasiado cedo, é ainda tempo de guardar no silêncio dos dias a vontade de te querer. É ainda de manhã, tu estás atrasado para o trabalho e eu estou adiantada na tua vida. Por isso respiro fundo do outro lado da tua imagem e espero - sentada no baloiço, lá mesmo em cima, para que não me vejas - que um dia dês o salto para o outro lado da tua vida. E sejas quem sempre sonhaste, para que te vejas ao espelho como eu já te vejo. Como tu és. (...)

Anda daí, vem sentar-te na Lua comigo. Imagina o trabalhão que tive, agarrei uma estrela só para ti."
R.P.

Sunday, December 24, 2006

Natal...

Viajo pelas ruas iluminadas, Deslumbro-me perante milhares de cores, Que me transmitem um sentimento de harmonia, Fraternidade e felicidade. No Natal vivem-se tempos de paz… Onde tréguas são feitas, Onde existem possibilidades… Mas nem tudo são razões para sorrirmos… Porque no dia de Natal… Neste preciso momento, Existem nações em guerra, Armas que anseiam por destruir vidas… Existem terroristas espalhados pelo mundo, Que planeiam a destruição… De tudo e de todos! Existem milhares de pessoas… Que morrem de fome, E que vivem numa pobreza imensa… Estes são alguns dos exemplos, Da calamidade mundial… Que nos impede de termos a harmonia perfeita… Neste dia tão especial! Saúdo todo o mundo, na esperança que a calamidade diminua, Embora saiba que a tarefa é quase impossível!
Hoje penso em todos vós, Envio-vos nesta mensagem… Para cada um de vós, o meu sorriso. Feliz Natal e Bom Ano Novo

Monday, December 18, 2006

Causa Enigmática...


Existem certos momentos na vida, em que o tempo simplesmente pára, cada segundo que passa revela uma igualdade transparente acerca daquilo que realmente nos construiu. E é nesses instantes que se transformam em sombras gigantescas que nos surge a perspectiva cruel daquilo que perdemos, daquilo que não vivemos, da felicidade que fugiu porque a mão simplesmente abriu-se, e assim se foi o tempo...

"Assumo nostalgia profunda, mas sempre terei consciência que mesmo diante das sete chaves guardiãs que fecham um templo aristocrático onde vivo, sempre lutei para as encontrar, sina do destino ou não, não reclamei.
Quando o trinco se abre, só vejo um vazio... o silêncio arrastando uma nuvem de poeira, e as portas fecham-se..."

Num desses momentos de silêncio sentiu sozinho perante o nada, as palavras...

Os desejos que temos, do olhar que sentimos e dos sonhos que idealizamos. O poder dizer-te estas palavras e olhar-te, parar o tempo e transformar a nossa cena como num filme encantado repleto de efeitos especiais. Não é fraqueza, não é uma mentira. Podemos assumir que somos carentes pelo puro sentido da palavra...
Sim, gosto de ti... Sim, este é o meu desejo, o meu sonho, e dir-te-ei tais palavras inumeras vezes, até perceberes os meus sorrisos, até perceberes que o que sinto és tu, a história por acabar espera-te para a completa perfeição do romance.
As linhas ainda estão em branco... desejo-te no concreto, esperaria por ti...

As linhas essas, continuaram em branco até que os trincos ferozmente se fecharam pela noite, sem pressas e com as mãos escondidas nos bolsos avançara sem medidas, resignado e vulgarizado pela vida, sentou-se no topo da fortaleza imensa, fechou os olhos e adormeceu com a lua nos seus braços!

18/12/2006
Marco Martins

Thursday, November 30, 2006

"Para nos lembrar" ...


Já vejo de longe o último dia em que me sentei nesta cadeira imperial carregado de emoções e te contei as minhas memórias, ora alegres... ora tristes...

E hoje volto a contar-te, algo desmistificado, puro, desenhado a carvão num cenário de vida...

Era de noite e todos os ventos intrometiam-se em desespero no som dos meus passos, combatiam frente a frente com as ideologias destemidas que se soltavam enfurecidas... Depois? Sucedera-se a luta do pensamento temporal, minuto após minuto, uma luta que ninguém vencera, tanto no passado, como no presente, tal como irá acontecer no futuro...
O sol nascera, o vento abrandou, caminhando sobre os céus, o meu tempo parou... do alto, sentado de uma nuvem harmoniosa, saltei bruscamente sobre os mares... um mergulho profundo, uma sensação altiva exageradamente repleta de encantos... Os meus olhos fixaram um pormenor, uma luz que iluminava o azul reflector de uma forma surpreendentemente fantástica... Não era apenas um sonho, diante dos meus olhos brilhava... A minha vida...

M.M.
30/11/2006

Monday, November 06, 2006

Amor: O significado vindo dos céus...

Amor é aquele acontecimento natural
Aquela hora, aquele momento, aquele olhar..
É a vida retratada na diagonal,
É a felicidade, o sonho, a dor e o abandonar..
se muita alegria, paz e compreensão possui
Também mágoa tem e desilusão.
Mas, não tomando o que sou ou já fui,
O amor é a vida do coração.
É o sonho que acontece,
Mas também o dia que anoitece..

Directamente vindo dos céus contou-me um anjo o seu significado de amor... não foi preciso vê-lo para o sentir, nao foi necessário vê-lo para saber como ele é, mas preciso de o ver para caminhar ao seu lado ("os anjos acompanham-se mutuamente").

Para a mais bela aparição...