Sunday, June 01, 2008

Chamamento!


A madrugada era um cenário de calmarias a suscitar no seu coração inspirações inquietantes. O orvalho friorento guardava as suas memórias desconhecidas pelas folhas transparentes do seu álbum de recordações. O som da madruga era silêncio recriando poções de harmonia, eram as suas imagens a vaguear naquelas derradeiras reuniões recheadas de sonhos contados em altivos tons sonoros, fechados em armários puxados ao lustro por categóricas passagens de silêncio. Puxa pelo efémero “Carpe Diem”, ansiando pelo desejo encantado que percorre todo o seu sangue abalado pelo palpitar ardente do seu coração abrindo brechas profundas tornadas corredores expansíveis de libertar o seu pensamento. Puxa pela sua vida livre, pelo seu cada momento experienciado que ele viciará os seus sonhos e manipulará todo um sistema normal de um ser humano e viajará nas asas sob o trote ligeiro do seu comando equestre até ao seu apetecido destino onde ela o esperava em razões de ânsia e sede de confronto com os seus braços. Era com ambição que delineava o trajecto dos seus sonhos, se fossem de encontro ao desejado destino já lá o esperava sentada na sua cama olhando fixamente as fissuras das paredes que estranhamente lhe davam indicações, um nome que a fizesse manter adormecida no seu tempo. Um toque violento na janela de tantas visões, suspeitas que surgiam num acumular de tantas atenções, de certa forma já esperadas; Levantou-se calmamente na esperança de visualizar, lá fora, aquele rosto distante… Estava de costas pouco se via, a neblina da madrugada tornara aquele rosto mais distante e misterioso do que nunca e estava tão perto do toque das suas mãos… Não hesitou, dirigiu-se pelos corredores outrora abertos e deslocou o seu pensamento em pegadas suaves pela casa, ouviu o estalar do trinco da porta e deslocou-a sob as reclamações da madeira de pinho que rugiam o incómodo provocado pelos soturnos desejos daquela noite. Esperou que ele se virasse, sem receio do sonho se tornar pesadelo, ela ficou expectante ao vê-lo rodar sobre o nevoeiro e de frente ao seu rosto sorriu-lhe e lançou a palma da sua mão ao vento e este lançou a semente, em segundos criara raízes e deslocaram-se para o interior dos corredores. Aquela alma tinha controlado os seus desejos e tinha concretizado um sonho tão longínquo, o seu rosto expressava os arrepios ternos do corpo, sensações que se deitaram na sua cama e adormeceram ao seu lado com um braço aconchegante entre os seus, e era tão real… De manhã entendeu que não passara de uma recriação da sua mente mas o seu pensamento passou a acreditar que tudo seria possível.

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