Está na hora... Das mais diversas facilidades se interporem nas inúteis complexidades. Está na hora de esquecer a dor, de tomar as medidas correctas... está na hora de me dizerem "Olá" de me dizerem "adeus". Este é a temporalidade exacta para aceder aos fortes instintos e rumar a um porto seguro. Esta é a hora!
"Despeço-me com o desejo do nosso sonho não perder cor".* Ainda há boas almas no meu caminho!
A quem me desenha um sorriso, a quem continua a ambicionar a sua partilha...
"[04h35]
Estão a demorar demais...
(Rabugento.)
com a história de ver os minutos a passar.
[04:38]
Preocupado,
Contigo.
Nem sei, porquê?
Comigo.
Talvez opte por uma corrente mais egocêntrica.
Ainda se recordam de mim?
[04:40]
Penso.
Talvez ninguém,
Mas mesmo ninguém entende isto!
Não é para entender.
Um dia idealizei-te, estavas entre o céu e o inferno. Sabia que o risco compensava qualquer estrago que pudesse vir a acontecer. Aconteceu, fiquei confuso, retrocedi na ideia da compensação. Na verdade, doía menos se pudesse sempre caminhar sozinho pelos trilhos de neve do Pacífico... até aí evitava olhar para lá da linha dos céus avermelhadas, a dor remota de um inferno pessoal. Penso que as ideias confessam-se em demasia a mim, chegam-me a baralhar-me com tanto burburinho inoportuno. E depois daquelas etapas complexas do "só sei que nada sei" ainda chego à brilhante conclusão que valeu a pena o risco. Mas não me sai da cabeça, o raio do burburinho que não me deixa adormecer, a ideia do "não seria pertinente que outras pessoas não se acomodassem, afinal de contas não há riscos... isto é um novo mundo e eu pensei que tivessem acomodados e felizes por viverem inseridos no mesmo".
[04h58]
[05h00]
Tenho vindo a questionar seriamente algumas das regras essenciais para o acordo e bem-estar da vida humana e todas as questões religiosas que podem advir de determinados actos. Dizem as religiões, pelo menos aquelas que tenho conhecimento, que a felicidade poderá ser encontrada em todo o ser humano que procurar amizade e amor no seu próximo. Supostamente esse acto deveria promover felicidade e estaríamos todos a distribuir sorrisos pelos cantos do mundo, pois bem, se assim o é tenho uma séria dúvida; Porque é que em certas ocasiões encontramos laços em alguém, nos damos e proclamamos eternidade e no fim de tudo, a conclusão é, nada mais triste do que simples adeus? Que por vezes é silencioso! O que faria a religião quando os laços que cultivámos fossem desatados como se a vida nunca nos tivesse dado uma chance de aprofundar um conhecimento mútuo do "que sou eu e do que és tu".?O que faz a religião que cultiva as regras de felicidade na amizade e amor quando nos deixa num caminho mais solitário? Acho que facilmente chegámos à percepção que a amizade pode ser uma treta!
Podemos fazer-nos à vida e seguir menos protocolos, assegurar mais precauções e dizer bem alto que não gostamos de tretas, não gostamos de regras niveladas e acima de tudo gostamos de alguém que preze a amizade!
"... e se amanhã já não estiver cá, achas que parti com a segurança de que ainda estavas comigo?"
Dir-te-ia, secretamente, que o meu grande segredo não se pretende revelar a ti.
Despedia-me daqui, pela sombra, ao sabor da tristeza que juntei aos meus pensamentos. Apetece-me subtraí-la conjugando-a ao tempo, bloqueá-la e proclamá-la para lá dos terrores que todos invasores indiscretos me proporcionam.
Eu não sei, nem tu, onde permanece a raiz da promessa que estabeleci entre os nossos pensamentos moribundos, profundos… à relatividade daquela promessa, o acordo definido pelo desespero.
Esqueci-me, na verdade mentia a todas aquelas ideias, de todo aquele sonho que vivia em mim. Porém, numa noite, escrevi à eternidade que me devolvesse o poder de sonhar e percebi realmente que não passara de uma negação onde o objectivo era nunca mais amar-te.
Então o Pequeno Mestre voltou…
E acordou atordoado pelo abanar feroz daquele vento que se insurgia sobre a navegação do grande pássaro. Já não temia a natureza, o pássaro gigante apenas se propunha a observar espantado toda a beleza que a altitude lhe proporcionara. De certo modo, estava consciente que esta sua sonolência tinha durado meses de sonhos, promessas e mais promessas num rodar descontrolado do seu globo. Perguntava-se como teria aguentado, o frio do Inverno, as trovoadas de Outono que tanto adorava escutar sentado na sua cadeira de baloiço. Tinha saudades dela e dos cambaleios que a sua vida dava naquele ranger envelhecido da madeira. Pensamento e mais pensamento… Já não era um sonho, sentia o frio a perfurar a sua alma e instalar-se no seu coração.
Apeteceu-me pegar no primeiro cd dos Silence 4 e escutá-lo pela madrugada fora... tinha saudades, ando com saudade de tudo o que adoro (impressionante). Bom, encontrei lá este poema que me diz tanta coisa. Vou partilhá-lo, alguns devem conhecê-lo bem, outros nem tanto...
"O silencio deixa-me ileso, e que importância tem?
Se assim tu vês em mim alguém melhor que alguém.
Sei que minto pois o que sinto não é diferente de ti.
Não cedo. Este segredo é frágil e é meu.
Eu não sei tanto sobre tanta coisa
que as vezes tenho medo
de dizer aquelas coisas que fazem chorar.
Quem te disse coisas tristes não era igual a mim.
Sim, eu sei que choro, mas eu posso
querer diferente para ti.
Eu não sei tanto sobre tanta coisa
que as vezes tenho medo
de dizer aquelas coisas que fazem chorar.
E não me perguntes nada.
Eu não sei dizer."
Era tarde, muito tarde... Os olhos iam pestanejando saudações do cansaço mas o cérebro não parava de procurar as palavras naquele tesouro que outrora encontrámos aberto. Ainda é cedo, acredito nos sonhos que outrora os céus me contaram. Nunca é tarde, nunca é cedo; nunca, nunca, que relatividade deveras emergente. A música do presente tem cifras complexas que impulsionam os dedos a não parar... Acredito, sempre acreditei.
Nada mudou, muito embora sentisse os temíveis arrepios de uma sonata fria e crua a invadir todo o meu espaço sonoro, ecos de uma maior solidão, tremores de perda, do vazio...
A alma fragilizada estremeceu, a tristeza aguardada deu-me a sua mão, em suspiros contou-me que os anjos e as almas gémeas reencontram-se sempre, por mais que a distância seja a necessária, nunca será a suficiente. Nunca, nunca... Será? Sei que tive medo, outrora entrei em contacto com a culpa…
Acreditei, ainda não era tarde! As letras iam caindo dos céus e formavam a sua própria sentença, deixava-me dormir, elas aconchegavam-se em mim e eu culpava-me mais uma vez; as letras entrelaçaram-se umas nas outras e em tom de segredo contaram-me que já era tarde. Fechei os olhos... Nunca é tarde para sonhar mais uma vez!
Seremos sempre livres neste mundo submerso de sinais e desistências; Sonho, sonho... Voltei a casa, voltámos a casa juntos e eu sempre achei que era tarde, não era assim tão cedo, é agora o sujeito presente... Nele avançamos em simultâneo e observamos atentamente as paredes que com tanta intimidade partilhávamos, partilhamos... As cores, as letras, toda esta essência em cada segundo...
Será passado? Não acredito.
Tudo isto é real... Ainda somos os pequenos daquele tempo em que nos gostava-mos em abraços num daqueles sonhos dentro dos nossos sonhos. Somos tão grandes, as letras desesperam a sua proximidade. Ousa em reconhecer-me na realidade... Somos um e o outro, um só, volta ao meu caminho, reencontra-me em torno dos meus braços.
A nossa temporalidade! Nem é tarde nem é cedo, o agora é eterno...
Marco Martins
Já não é surpresa, já não é segredo... Acho que estava destinado a voltar a contar-te mais um daqueles segredos que nunca foram qualquer segredo para nós...
Open your mind,
Siente tu alma, siente tu cuerpo atravesando los caminos de nuestro reino,
Remember,
Todos nuestros mares son infinitas...
Ici, jusqu'à présent, so close...
See you soon...
A Chuva… (Suspiros suaves de ternas gotas remanesceram da imortalidade das nossas emoções) … Que cairá dos teus olhos percorrendo as linhas da tua face… (Sob as marcas traçadas de um sorriso tão distante de mim...) …são go(tas)… (Aguardando um toque de salvação.
Minérios desorientados pela raiz dos nossos pecados… são vozes de ajuda, de dor, a agonia em desespero) …(que) também fazem parte de mim. (Afago-os por entre os meus dedos, esperando…) (Espera (s)…) (O momento mais fraterno, mais débil da tua alma que anseia por uma solução, um rumo, uma nova vida para além de um momento descontente pela angústia temperamental. Enfim…) …Que te possam preencher esse teu vazio acumulado dos meus olhos aos teus. Do “nosso” temporal… (Já esperava que gota após gota preenchesse uma parte de céu que se concentrava bem dentro de ti) …aguardava-se o desvanecer desesperado do ritmo dos nossos corações. (Ansiosamente)por cair…
Estava numa noite onde a inspiração desaparecera, os sons irritantemente afastavam a energia relevante dos seus pensamentos e as ideias permaneciam estaticamente desesperadas. A situação não lhe era de todo favorável, as suas expressões iam progressivamente exibindo um certo desespero à medida que o tempo se ia acumulando na progressiva escuridão da madrugada. Por momentos resignara-se, a desistência era obviamente o caminho mais fácil, talvez não o mais seguro… Desviara as letras, palavras das linhas das páginas que infindavelmente olhava sem grande utilidade.
Palavras riscadas, prescritas de nada… deixaram de existir…
Enfim acomodou-se no manto dos seus ternos confortos e fechou os olhos, a sua realidade desvanecera-se, agora tudo não passavam de sonhos projectados longinquamente da sua necessidade. As cores estavam distorcidas, mas reconhecidas, havia ares de uma ausência sempre presente que o reconfortava. O sonho acabou na efemeridade… desejava algumas réstias de imaginação na sua realidade. Quando os seus olhos se abriram as cores distorcidas haviam sido consumidas pelo esquecimento… Nada ficou para recriar.
A inspiração não tinha regressado à sua mente, tornara-se impossível canalizar toda essa energia num simples torrão moderno de carvão…
Sentado nos seus aposentos revia todas as imagens que a bola de cristal lhe transmitira, deslumbrara um reino encantado, um escritor desinspirado, um homem dedicado acompanhado de um feroz animal de estimação, um cacto bem tratado respirando a gélida contaminação da temperatura e uma princesa no topo abençoando cada um dos seus…
As imagens tiveram sempre na sua presença e na medida dos possíveis escreveu o seu pequeno texto: “A ausência da presença nas submissas leis da saudade”.
"Uma vez, li uma história acerca de três irmãos que tinham ido parar a uma ilha para os lados do Havai. É uma velha lenda. Li-a quando era pequeno, por isso não esperes que me lembre bem dos pormenores, mas é mais ou menos isto: Três irmãos fizeram-se ao mar, para pescar, e apanharam uma tempestade. Andaram à deriva no oceano durante muito tempo, até que foram dar a uma ilha desabitada. Era uma ilha muito bonita, com palmeiras e árvores repletas de frutos e, no meio, uma montanha muito alta. Na mesma noite em que chegaram à ilha, um deus apareceu-lhes nos seus sonhos e disse: «Um pouco mais adiante, à beira-mar, ides encontrar três grandes rochedos redondos. Quero que cada um de vós escolha um pedregulho e o faça rolar até onde lhe aprouver. O sítio onde escolher parar, marcará o lugar onde ficará a viver. Quanto mais alto subir, tanto mais vasta será a vossa visão do mundo. Sois livres de ir até onde bem entenderem.».
Tal como Deus lhes havia dito, os três irmãos encontraram três rochedos e começaram a deslocá-los. Tratava-se de pedras grandes e pesadas, de modo que não se revelou fácil a tarefa de as empurrar montanha acima. O mais novo foi o primeiro a desistir, dizendo: «Irmãos, fico bem aqui, este sítio não está longe da praia e permite-me apanhar peixe. Tem tudo aquilo que preciso para sobreviver. Não importa se não consigo ver grande coisa do mundo.» Os outros dois prosseguiram a sua caminhada, mas, chegados ao meio da encosta, foi a vez de o segundo irmão desistir. «Meu irmão», disse ele, «fico-me por aqui, onde tenho frutos em abundância. Não precisode mais para viver bem. Pouco importa se não consigo ver grande coisa do mundo.» O irmão mais velho continuou a ascensão. O caminho foi-se tornando cada vez mais íngreme, mas ele não desistiu. Era senhor de um grande poder de perseverança e estava apostado em alcançar do mundo a maior parte que lhe fosse possível. Continuou então a empurrar o rochedo com todas as suas forças durante meses a fio, mal parando para comer ou para beber, até que atingiu o ponto mais alto da montanha. Uma vez ali chegado, deteve-se e olhou o mundo em redor. Agora podia ver mais longe do que algum outro homem antes dele. Era ali que iria viver o resto dos seus dias, ali onde a erva não crescia, onde as aves não chegavam. Para beber, tinha de lamber o gelo e a água da geada. Para se alimentar, tinha de se contentar em tasquinhar o musgo da terra. Mas não estava arrependido, pois conseguia avistar o mundo inteiro. E é assim que, ainda hoje, no cimo daquela ilha, algures numa ilha do Havai, existe um rochedo enorme e redondo."
"Os passageiros da Noite",
Haruki Murakami
Tal como o "irmão mais velho", M. Luther King foi mais longe e, mesmo que a sua ascensão o tenha condenado, o esforço não foi em vão e libertou para a sua nação o seu desejo de igualdade para todos os seus "irmãos".
Não sei se me entendes ó psicologia desinteressada do bem me quer… se eu de querer-te tanto me esforço para além das ramagens flutuantes enxaguadas de mágoas acumuladas num fundo de destemperança. Tens razão persigo-te continuamente, persistente… corro em melodias avessas até mais não, e do senão liberdade infinita, imensidão… não coroes a minha presença… ama-me simplesmente em forma na profundidade alegre do teu ser. Que do óbvio se celebre entre os nossos braços a perseguição de tudo o que nos quer e o que não nos quer nem a bem nem a mal será eternamente perdido na desconfiança da célebre novidade antecipadamente esquecida. Que bem me quer, lembrei-me… estou a prolongar-me nesta infinita noite de vida, enfim, deitei fora as malas esquecidas. Que malas? Nem sei bem…
Se bem me queres é profundo, é terno na convulsão dos sentidos… “Bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer...” a esvoaçar pela brisa suspirante na encosta do monte de prado verde florido em terra natura.
Somos imagens plantadas no seio desta terra fortalecida de histórias perdidas por entre fendas cruéis ou de forma vangloriosa por entre os raios brilhantes que ainda se passeiam com ternura nos jardins mais floridos da nossa recordação. A reminiscência é doce e amarga entranha-se na alma e oferece-nos um gosto a estranheza, divaga nos organismos libertando-nos do vazio… Nostalgia? Claro! Temos tantos livros abertos, escrituras de um passado tão recente… Aquelas tardes apaixonantes em que todos os costumes eram por si nobres corações aventurados, deslumbrados por cada minuto em que o mar nos falava em murmúrios da sua pacata tristeza. Ouvíamo-lo entrelaçando os corações entre as raízes dos nossos dedos e chorávamos em silêncio a sua dor sagrada. Nostalgia presente nas memórias da sensibilidade, há quem a tema na perplexidade das lágrimas que correm sem parar na espera que a lembrança surja e lhe escoe a tortura presente no seu peito… Confia em mim, sei que percorres alegremente o meu corpo, silencia as tormentas, escreve-lhes as sonatas mais belas, em suma, reaparece numa erupção volumosa sob as ordens simples de um olhar tão forte que vindo do nada nos arrepia e nos enamora imaturamente sem razão aparente de ser… Em instantes benevolentes recriamos romance, um pôr-do-sol, umas estrelas brilhantes, uma lua, um sol e alguém sentado ao nosso lado que faça dia, faça noite jamais será esquecido… Eu lembro-me… Foram tantos caminhos felizes sem noções de um amanhã, tantas pedras invisíveis aos nossos olhos perdidos no encantamento, razões sensoriais ao nosso sofrimento. Momentos sofríveis, desprezíveis numa troca abundante de vidas e mesmo assim, mal sabem vocês das saudades que tenho de vocês… De ti, de ti… mais de ti e a ti também… Das lágrimas aos sorrisos espontâneos e sentidos, uma celebração natural das nossas palavras.
Se o reino é magia, não a busco... nem tão pouco a sei procurar, mas se algo mágico é vê-la sã e em sorrisos de felicidade… então a magia não se poderá esconder muito mais. Terei de sujeitá-la à minha protecção. Quem mais tolo seria se não eu para salvaguardar as obscuras palavras em profunda sinfonia? Pois não se preocupe que a orquestra é sua dádiva e a música vibrará sempre com intuito de felicidade em sua janela.
O tumulto desafia o silêncio desde que uma fase densa e quente instalou-se no espaço e numa tremenda explosão recriou um tal de “Big Bang”. Lutavam na invisibilidade do espaço e ninguém os sentia. Pela convulsão atroz do avançar do tempo julgava que o silêncio sentia tremendas dificuldades em alcançar os seus desígnios mais distintos encontrados nas brisas cósmicas, os suspiros de paz. Mas ninguém sabia, nem se importavam com a soma de todas as infracções provenientes das incisivas leis do tumulto. Enfim… estávamos livres, desligados da corrente problemática do mundo, ou seja, estávamos escondidos das fortuitas leis designativas do que para todos nós era o “irreal”. Mas naquela caserna repleta de libertos eu não me conseguia sentir em liberdade – inspira a chamada à contradição, tantas vezes outros recorrem às nossas palavras em busca da liberdade que tanto procuram e não obtêm de forma alguma, nesses compassos dão-nos a conhecer a prisão em que se encontram e a porta abre-se para uma substituição de elementos -, estranhamente sentia que não era o único no meio da normalidade daquela multidão, mas não busquei o instinto, desprezei delicadamente a sua chamada e nem ocorrência se prestou a registar; Não esperei pela estranha resposta escondida naquela lotaria de rostos.
Dois passos atrás, um grito vazio (consumido em mim) percorria o seu sentido inverso e afinava com repreensão as minhas cordas vocais, o silêncio… Mais um passo, o recolher de um pensamento refugiado escondido no nada. Não necessitava de mais passos, o ar fugia-me e afogava-me num mar desenhado no interior da minha mente, os meus olhos recolhiam na neblina e tudo era visualizado em relances de um olhar pasmado diante das chamas a lutarem entre estados de espírito descontrolados… Tudo compreendido numa memória de nanossegundos contabilizados pela falta de inércia dos meus dedos. O pensamento imobilizava-me por completo, jamais poderia voltar a dar dois passos em frente e ultrapassar a linha… a tal linha que impulsionaria de novo aquele grito que estava agora a entoar ecos sofríveis dentro de mim. Necessitava de luz, uma espécie de combinação entre alma e magia. Breve, semi-breve… tão breve e suavemente soltara-se uma chama, concedi-lhe carregando em dificuldade no manípulo suado do meu isqueiro enquanto fechava os olhos em busca do raciocínio imediato. A loucura aproximava-se de mim sentia que me carregava aos seus ombros e quando abri os olhos a chama era divina e sagrada, não era loucura não… ateava a estrada que me convidava à salvação… a estranheza viera entregar-me concelhos e levar-me à liberdade…
Soltando as nossas chamas com todas as forças que propusermos a lá deixar num caminho de retorno… A verdade é que tanto poderemos ter força para cobrir de chamas um tumulto como encher de paz o nosso mundo.
Mantive-me bastante tempo impávido, deixando na ausência a beleza tremenda da deusa serenidade, a pensar quais seriam as artimanhas necessárias para testemunhar este feito intrigante de uma carga intensa possuidora de tantas forças rebeldes; chamar-lhe-ei de “essencialmente especiais”. Pediram-me em silêncio para seguir as rotas do segredo no meio de tanto aparato, propuseram-se a desafiar a capacidade tão respeitosa do que é transformar algo banal e perdido em criação paranormal sobre as divisas do simplesmente normal. Sem pensamentos interesseiros não pedia trocas mas, requeri uma substituição avassaladora dos elementos circundantes, por isso, ao “empurrar” o pensamento rumo ao tempo na sua direcção inversa, pedi que transportasse nos seus segredos mais profundos uma lista de elementos fulcrais.
Substituam todo esse ruído submerso de contradições e de equivalências sonoras sem nexos e aprendizagens – Para quê revolucionar todo um ambiente e criar muralhas entre as respeitosas audições? -, dessa forma andarão constantemente a flutuar num vasto rio sem pescadores, ou melhor, os pecadores existem mas na verdade a sua consciência não vos deseja. Portanto, absorve todas as locuções e interliga-as, mas peço alma, muita alma… Para maravilhar toda esta transformação! Na teoria pedia silêncio, nem que fosse ocasional, um sussurrar ligeiro e um grito profundo quando pisares a linha que te colocará em liberdade.
Agora que és livre, ainda duvidas que somos mágicos, críticos, criadores e leitores de tantas liberdades e pensamentos? Enfim… O pensamento retornou veio educadamente instalar-se no seu berço de corridas imaginações.
Andam constantemente a vaguear pelas emergentes armadilhas dos pântanos, sobre fungos lamacentos, humidades desumanas, bichos estranhos e assustadores que os fazem perder o ar. Eles não sabem, disso aquela alma poderá sempre se defender, que a neblina é o pânico a invadir a sua alma, doce vento a circundar sobre a calada. Remotamente a névoa ficou mais forte, o alvoroço chamou por alguém que se encontra longínquo, audição habituada ao acontecimento soube bem distinguir os gritos sumidos vindos dos pântanos. No terror sentiu necessidade em ouvir as habituais asas brancas a entoar solos de salvação, aguarda com impaciência e deixa em liberdade todos aqueles rituais de nervosismo que constroem o seu ser.
Rompia a alvorada ainda repleta de negrura e as asas brancas percorriam as galerias da sua habitação, nunca soube o seu destino, seguia um instinto… talvez fosse esse o seu propósito, o destino de se encontrarem sempre naquelas ocasiões em que o desencontro emocional era bem mais forte do que tudo o resto…
Juan Ramón Jiménez nasceu em Moguer, no sul da Andaluzia, em 23 de Dezembro de 1881. O poeta ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1956, morreu a 29 de Maio de 1958.
Escrever sobre Juan Ramón Jímenez obriga a falar de modernismo: a sua poesia foi, no começo, influenciada pelo movimento e fez depois evoluir o modernismo espanhol. Assim iniciada, a poesia de Juan Ramón começou por obedecer às leis deste amplo movimento: um esteticismo de raiz romântica, predominantemente sentimental, em que o eu é quase sempre o centro do poema, com os seus lamentos, uma visão idílica da natureza, uma sensualidade difusa, paisagens que são reflexo do seu espírito inquieto e por vezes mórbido, da consciência que lhe revela a transitoriedade humana, o abismo da beleza inatingível indiferente a essa transitoriedade. No entanto, o trabalho de Juan Ramón - este ciente de que só a beleza poderia vencer a morte e que a sua própria morte só seria vencida quando ele completasse a sua obra - prossegue em busca da perfeição, entre avanços e repetições. A sua poesia era testemunho de uma profunda inquietação, uma sede terrível que nada poderia saciar, e que se fecha no seu ponto mais alto do conhecimento: o de um Deus por ele alcançado através da beleza que, através de uma luta obsessiva de toda a a sua vida, descobriu e revelou na poesia.
O Canto do Grilo
"As horas passam, serenas. Não há guerra no mundo e o lavrador dorme tranquilo, vendo o céu no fundo alto do seu sonho. Talvez o amor, entre as trepadeiras de um muro, ande extasiado, de olhos nos olhos. Os favais enviam para a aldeia mensagens de terna fragrância, como numa inocente adoloscência cândida e subtil. E os trigos ondeiam, verdes de luar, suspirando ao vento das duas, das três, das quatro horas... O canto do grilo, de tanto suar, perdeu-se...
(...) A Lua cai, vermelhusca e sonolenta. Já o canto está ébrio de luar, embriagado de estrelas, romântico, misterioso, profuso. É então que grandes nuvens lutuosas, debruadas de um malva azul e triste, arrancam o dia do mar, lentamente..."
Ainda dizia o pobre mago que não valia a pena esperar e contar serenatas às vozes da ausência! Estava visivelmente desencontrado, vale sempre a pena escutar o silêncio e pedir-lhe salvação, para que um dia, também nós, sejamos um silêncio disposto a salvar o próximo... E na teoria muitos foram formulados sem entenderem a concepção da calmaria que os acompanha na sua estação inquisitória. Então sem nexo e direcções, derrubam os limites da progressão e o silêncio que em breve os colocaria num transporte para um porto mais satisfatório do ponto de vista dos seus sonhos.
Não deixam de haver centenas de espíritos indígenas a invadirem-me a alma com os seus ecos fanáticos de loucura, esperando que o seu companheiro mais próximo lhe transmita um bom conselho... Mal sabem eles que o seu desejo morrerá em breve disperso em silêncio!
Helena saiu às ruas alastradas pelos ventos fortes que arrastavam consigo as poeiras vindas de Tróia, deu-lhes o nome de guerra celebrado em brindes clássicos de vitória, as paredes sorriam-lhe e saudavam calorosamente a sua passagem. A rainha ia cantando todos os séculos das suas sagradas lembranças e façanhas abençoando cada uma das suas descendentes, entregando-lhes amor maternal, se a diva lhe prestasse a devida homenagem nos cantos mais frequentados da sua memória.
A história prossegue as indicações normais e a estrada leva-nos ao encontro das suas preces... Assim surges pedindo a aflitiva "bleia"neste nosso cavalo de Tróia, a nossa tripulação observando os teus olhos revê em ti mais uma aliada, sobes os degraus que os nossos braços te estendem e ocupas o teu lugar, prossegues a nossa viagem, trazes contigo a tua sabedoria divina, e mal sabíamos nós que as raízes da rainha sentavam-se de novo nos comandos desta travessia, nem sabíamos que era sua progenitora... Lembro-me daquele dia como se de hoje se tratasse, consigo-o desenhar nas paredes fortificadas que nos protegem dos horrores que lá fora se vivem, vou contar-vos a imaculada nostalgia a penetrar as muralhas dos vossos corações, não admito receios são tempestades que nos arrasam de bondade... Lembro-me como se fosse hoje o silêncio timidamente a corromper-se sem sequer se prenunciar desejando acumular toda uma paz invulgar rendida a todos os seus encantos; as primeiras palavras frágeis, timidamente transmitidas como naqueles tempos em que éramos crianças inocentes e percorríamos num cuidadoso silêncio o caminho para o templo de Zeus numa caminhada em honra das virgens protectoras. Mais tarde recordo os espíritos unidos a abraçarem-se amistosamente entre o secretismo do misterioso cavalo de madeira, assim se formulava em definitivo a colectividade das tábuas erguidas e unidas que têm vindo a percorrer as estradas da "Magna Grécia" em direcção à possível derrocada de Tróia.
Neste cavalo todos éramos história e respirávamos sopros de realidade, escrevíamos pensamentos no ar, lascávamos a madeira criando os nossos quadros marcando-nos na eternidade histórica... Em outros momentos haviam mesas redondas onde se discutia pelas noites sob o zumbido inquietante dos insectos incómodos que lá fora tentavam penetrar as nossas muralhas defensivas, ignorando todos os sons os raciocínios prosseguiam lestos e rapidamente se fundiam entre nós, sempre lhe disse que preferia dádivas a burocracias... Ela pediu-me sátiras, eu simplesmente parei e estatelei-me lá bem no fundo num vago murmúrio sonolento, levantei-me mais tarde quando o murmúrio se dissipou entre todos nós, e agora nestes momentos tranquilos vos conto neste rasgo de nostalgia o percurso da nossa amizade.
Recentemente... Chegamos a todos os lados e vencemos imóveis, sem armas, nem gritos... julgavam-nos monumentos e criticavam-nos por incompatibilidades nos seus gostos artísticos e nós íamos retaliando em vagas daquele silêncio corrompido e todos se ajoelhavam prestando vassalagem à tua artimanha. Na verdade nunca pensámos deslocar-te até Tróia... Princesa helénica viemos neste cavalo passar as nossas vidas a rodar o espaço divino de Hellas, conquistar sabedorias, pensamentos e aliados que nos dêem uma viagem com mais proveitos e conclusões, por fim, talvez um dia Tróia se encontre diante dos nossos olhos e a dignificante vassalagem se arraste a teus pés...
Agora preparemo-nos todos para mais uma viagem, em frente gera-se o movimento dos rolamentos das nossas vidas.
De um castelo a sobrevoar os ares para uma terra de cavalos tróianos...
A madrugada era um cenário de calmarias a suscitar no seu coração inspirações inquietantes. O orvalho friorento guardava as suas memórias desconhecidas pelas folhas transparentes do seu álbum de recordações. O som da madruga era silêncio recriando poções de harmonia, eram as suas imagens a vaguear naquelas derradeiras reuniões recheadas de sonhos contados em altivos tons sonoros, fechados em armários puxados ao lustro por categóricas passagens de silêncio.
Puxa pelo efémero “Carpe Diem”, ansiando pelo desejo encantado que percorre todo o seu sangue abalado pelo palpitar ardente do seu coração abrindo brechas profundas tornadas corredores expansíveis de libertar o seu pensamento. Puxa pela sua vida livre, pelo seu cada momento experienciado que ele viciará os seus sonhos e manipulará todo um sistema normal de um ser humano e viajará nas asas sob o trote ligeiro do seu comando equestre até ao seu apetecido destino onde ela o esperava em razões de ânsia e sede de confronto com os seus braços.
Era com ambição que delineava o trajecto dos seus sonhos, se fossem de encontro ao desejado destino já lá o esperava sentada na sua cama olhando fixamente as fissuras das paredes que estranhamente lhe davam indicações, um nome que a fizesse manter adormecida no seu tempo.
Um toque violento na janela de tantas visões, suspeitas que surgiam num acumular de tantas atenções, de certa forma já esperadas; Levantou-se calmamente na esperança de visualizar, lá fora, aquele rosto distante… Estava de costas pouco se via, a neblina da madrugada tornara aquele rosto mais distante e misterioso do que nunca e estava tão perto do toque das suas mãos… Não hesitou, dirigiu-se pelos corredores outrora abertos e deslocou o seu pensamento em pegadas suaves pela casa, ouviu o estalar do trinco da porta e deslocou-a sob as reclamações da madeira de pinho que rugiam o incómodo provocado pelos soturnos desejos daquela noite. Esperou que ele se virasse, sem receio do sonho se tornar pesadelo, ela ficou expectante ao vê-lo rodar sobre o nevoeiro e de frente ao seu rosto sorriu-lhe e lançou a palma da sua mão ao vento e este lançou a semente, em segundos criara raízes e deslocaram-se para o interior dos corredores. Aquela alma tinha controlado os seus desejos e tinha concretizado um sonho tão longínquo, o seu rosto expressava os arrepios ternos do corpo, sensações que se deitaram na sua cama e adormeceram ao seu lado com um braço aconchegante entre os seus, e era tão real…
De manhã entendeu que não passara de uma recriação da sua mente mas o seu pensamento passou a acreditar que tudo seria possível.
Foi numa noite amena que duas doses frescas de cafeína infiltraram-se compulsivamente no meu pensamento e despertaram os instintos intensos de um apurado paladar, diria eu que me chegava em abundância um cheiro a palavras constantes, iguarias supremas, imensas, desejos escondidos infiltrados no meu corpo. E eu sei de verdade, nunca duvidem daquela maneira ou de outra conjugada em prenúncios realidade, que uma série de seres haviam construído um anfiteatro enfeitado de magia, coberto daqueles encantos vivos retirados de todos aqueles sonhos. Fizeram-se ouvir fortemente no seu trono em vastos reinos invasores, em contextos de paz atenção, não eram guerrilheiros cruzados, não tinham ânsias de desordens, apenas enunciavam mais um dos seus espectáculos.
Naquela noite teria ganho um bilhete ícone, repleto de méritos desentendidos concentrado em rasgos extensos de orgulho; e ainda agora me cheiram todas aquelas palavras fortes e revendo vontades descrevo-as deste jeito tão sereno sob o rumo das palavras de outrem.
Os lugares eram imensidão, encontravam-se vagos, tristes, dissipados, tantas figuras guardadas na recordação daqueles nobres castiçais, tantos recortes invisíveis, ausentes desencontrados em memórias vitais. Toda a filarmónica se expunha em locomotiva, em acertos constantes sob a batuta palpitante de tantos corações, e não se enganem em precipitadas conclusões foi uma noite emotiva sobre uma tempestade a chuviscar sensações. Trovoadas que bramiam o rumo de tantos olhares, encantos… Sobre seres que se entusiasmam de curiosidade e dos ruídos da pauta na tendência dos seus gestos, curiosidade revirada a verdade alusiva. Num manto de trapos deixou-se o sol dormir, e a lua brilhante e formosa ansiava despertar, os raios ainda sustinham vida no horizonte até que se deitou no manto e deixou de luzir; ao vento soltaram-se bandeiras simbolizando a lua encarregada de nos abençoar. A música desprendeu-se e virou natureza, os grilos cantantes rejubilavam magia, vozes, instrumentos, em harmonia dos deuses, doce e terna beleza diante das memórias de Mozart, Beethoven, Bach, Tchaikovsky a sussurrarem-me em silêncio o orgulho dos seus ensinamentos.
Mas não divagava sozinho, as insónias tinham invadido outras casas, outros leitos… Veio-me visitar entre fileiras escondidas, permanecia num silêncio inquietante deveras preocupante para uma alma tão esbelta e encantada. Não fazia a menor ideia do que ali fazia, não sei sequer se sentia a sinfonia da mesma forma artística do que eu ou se veio em torturas recuperar em fôlegos de rebeldia alguma da súbita paz que aquela noite nos concedia. Não sei, esta é a resposta mais óbvia para esta alma petrificada, sem vida nem sentidos a vaguear simbolicamente sobre pegadas desencontradas num mar de caminhos perdidos. Sem reservas sentei-me a seu lado desfrutando dos momentos em que a música que se ouvia, ela estagnava reticências, eu sei, revia-se em consequências pelos tiques amordaçados em aliança com os sentidos prisioneiros deliberadamente refugiados nos contextos da sua euforia. O vento embalara os seus cabelos erguendo-se num estendal de movimentos, respirando magia em processos lentos que iam definindo as raízes da sua memória. Os segundos passaram rapidamente, ela levantou-se e nem reparou que alguém respirava ao seu lado; movimentou-se em passos largos dirigindo-se num rumo mais além... Saída do nada ouviu-se uma voz, em teores altivos invocando a sua alma dizia: “Dó, Ré, Mi, Fá, Só, Lá, Si, Dó”, após este “Dó” declarado a orquestra acabara o seu concerto, os grilos adormeceram atordoados por sombras de fantasia, os ícones reviraram páginas a preto e branco… E lá bem alto, aquela alma gritou fixando o seu olhar em mim “Dorme meu caro, dorme embalado neste palco de euforias sob a mestria de alguém que se ausenta mas que se sustenta das alegrias que vive cada vez que cá entra.”
Era novo, de tenra idade por suposto, e todas as figuras visíveis ao meu redor tornavam-se fórmulas ingratas das quais não podia tocar; resignava-me e sentava-me modulando os astros com as mãos tocando-lhes como um espírito perdido ambicionando um desejo disperso sobre a esperança de um dia transformar-me num daqueles pássaros espaciais, sobrevoando os ares, batendo as suas asas formosas entregando-se à gravidade na sua totalidade e instalando-se por lá. Na verdade acreditava que as estrelas eram ninhos mágicos e que de lá todas as aves erguiam o seu vasto império de vigilância sobre o mundo, doía-me a alma quando via certos seres cercados em gaiolas onde as suas asas inadaptadas se reformavam de felicidade... Depois os meus olhos tornaram-se mais verdadeiros no sentido da percepção realística das coisas, sensações, continuava a descobrir as noites mirando todo um espaço, todas as luzes, mas os ninhos retiraram-se do vasto imaginário nocturno, enterrei-os em valas profundas junto ao mar. Todas as estrelas me pareciam verdadeiras, acima de tudo sinceras, penso e recordo as histórias que cada uma confessou em vibrantes desejos reflectidos pelas horas da madrugada. Depois tornei-me ainda mais velho, diz a evolução que subimos um degrau e nos consideramos homens perfeitamente racionais e com graus elevados de maturidade, e revi-me a pensar na paisagem divinal que da passagem às horas me iam entregando. Eu aceitava cada luz celestial, nem uma teria razões para se considerar ignorada. Nessas alturas modificava-me, de entre habitats, implementavam-se confusões intemporais numa vida de revoltas amenas e de lágrimas sofríveis que desaguavam sobre as marés vivas palpitantes de um coração aclamando e desejando o surgir imediato do verbo descansar. Ficava entre o mar e a areia circundando a mesma em pegadas de vida, rejubilando mágoas em diversas direcções, reflexos de traumatismos de uma lua encoberta pela maldita tempestade. Na pós-tempestade renasci, sobre deslumbres permanentes de entre as escolhas naturais que se seguem aos caminhos dos enganos. A lua passou a ser mar e natureza, passou a ser estético, perfeição e sonho construído de certa forma desenvolvido para uma relação de amizade. O mar, a natureza e o céu serão triângulos mágicos, serão tudo sobre uns olhos enfeitiçados pelo seu eterno namoro da terra para o céu. O vento aclamou as suas boas vontades sobre uma noite carregada de beleza, deitei-me no chão num prado verde encantado de esperanças, as vibrações eram electrizantes diante de uma paisagem calma, terna e de paz. Foi mais um encontro sobre o prado das confissões onde todo o mundo é uma soma de ilusões onde apenas eu, as estrelas e a lua somos vozes da humanidade.
Havia, ainda existe, um lago de evasões pintadas com cores abstractas infligidas pela doença da saudade, aquela sensação de inquietação danada irreversivelmente plantada naquele chão de esperanças fúnebres numa mistura envolvente com as cores vivas dos seres vivos e formosos que a tantas vidas transformou. Nesse espaço aberto ao vento coberto pelos zumbidos retorcidos da poluição rolam os cochichos das páginas que se desfolham em curiosidade, saem à rua o bando das amarguradas más-línguas que nos olham em desalentos terrores de entre os nossos ternos louvores a sobrevoar as graciosas correntes das temperanças que das lembranças nos recordam aqueles instantes formulados por uma dinastia vaga repleta de magia.
E nos fluidos abstractos, sobre as pedras que se resguardam nos confrontos com as águas mortas, rodopiam uns patos mansos ou bravos, é incerto e confuso que nem eu sei, que à nossa vista tão longínqua serão imagem ausente ou muito vazia, passam por símbolos carismáticos daquelas tardes de preguiça serena, da conversa amena em que os nossos corpos habitavam em tranquilidade na gruta das estalactites e estalagmites com o seu nome de amizade.
Um passo é presença e será sempre lembrança desta enorme conferência que o mundo numa compressão de corpos entregou, respirando ares que a essência de uma alma nos pode oferecer num espaço de minutos simples e inesquecíveis.
Quando fechei olhos ela apontou-me a sua luz, não podia fugir, fez-me prisioneiro debaixo de um manto de sensações.
Vivi prisioneiro das suas decisões, sobre as amarras que eram incandescentes como o fogo austero que incendiava a caserna dos meus sonhos; a pedra ganhava vida e ia diminuindo o espaço velozmente, toda uma substância ganhara sentimentos de destruição e a abolição rugia os seus intuitos de morte fria. Palpitava a batuta do medo, mas de nada adiantava, não podia fugir... Não podia! Mas a luz ganhou vida cicatrizando toda uma dor vaga e longa sobre as gotas que subitamente por mim escorriam... Ela segurou-me na mão e em sussurros de calmaria agitou a voz grave repetindo agitadamente notas divinais, era oceano a enconder o grande sol, sei lá, era algo de grande simbologia, seria Vénus e Marte talvez, que vieram contemplar a sua força e harmonia. E da tortura que em segundos nos mata surgiu aquele calor no doce peito, tal como se fossemos ave moribunda a contemplar o mundo sobre o abismo. Garanto-vos todos se salvariam...! Na conclusão não entendi a tal companhia, desejou-me trevas, entregou-me o paraíso... Não sei quem seria! Mas de uma coisa não tenho dúvidas, sem ele eu hoje não tinha o alento e a vontade de o rever.